As dúvidas mais comuns sobre o coronavírus


09 de março de 2020 às 16:41
Homem usa em meio ao risco de coronavírus em estação de metrô na Itália

Homem usa máscara em meio ao risco de coronavírus em estação de metrô de Milão, na Itália (25.fev.2020)

Crédito: Flavio Lo Scalzo/REUTERS

O novo coronavírus (COVID-1) assusta o mundo desde o início de 2020. A Organização Mundial da Saúde  (OMS) contabiliza pelo menos 110 mil casos de contaminação, mais de 3.800 mortes e uma centena de países ou territórios afetados. O órgão declarou que o surto da doença constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

No Brasil, o primeiro caso foi confirmado no final de fevereiro: um homem 61 anos, morador de São Paulo, que retornou recentemente de uma viagem à Itália — o país europeu é o terceiro maior foco de contaminação mundial. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem mais de 600 casos suspeitos e 25 confirmados. 

Os coronavírus são a segunda principal causa do resfriado comum (após rinovírus) e, até as últimas décadas, raramente causavam doenças mais graves em humanos. Entretanto, algumas variações do agente contaminante pode causar pneumonia e insuficiência respiratória. 

Veja abaixo as principais dúvidas sobre a doença:

Como o coronavírus surgiu?

A origem do novo coronavírus ainda é incerta, mas evidências indicam que o surto da doença se iniciou em um mercado de Wuhan, sétima maior cidade da China, com 11 milhões de habitantes. O estabelecimento, onde animais vivos eram comercializados para abate, é apontado como o mais provável local onde um animal pode ter transmitido o vírus para um humano —  o que pode ter ocorrido por alguma forma de contato ou ingestão de carne contaminada.

Entre animais suspeitos de terem sido o primeiro hospedeiro da doença estão o pangolim (espécie próxima do tatu, comum na região), morcegos e até camelos. Uma grande variedade de animais silvestres era comercializada no mercado, fechado por determinação das autoridades locais.  

Os primeiros casos do Covid-19 surgiram entre frequentadores do mercado de Wuhan e geraram o primeiro alerta para a doença emitido pela OMS, em 31 de dezembro de 2019. O vírus foi reconhecido como uma mutação da família coronavírus, cujas variações anteriores incluem o SARS-CoV (que também se originou na China e matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2004) e o MERS-CoV (originário do Oriente Médio, que matou mais de 600 pessoas desde 2012).

Por que o coronavírus é perigoso?

A nova variação do coronavírus ainda é pouco conhecida pela comunidade científica e isso aumenta sua periculosidade, por não ser possível prever sua evolução e propagação. Conforme novos casos surgem, padrões da doença são observados e há mais chance de controlar o aumento de casos da doença, mas a OMS ainda considera difícil traçar cenários sobre as proporções que a epidemia pode atingir em todo o mundo. Até o momento não existe uma vacina específica contra o vírus, embora pesquisas já tenham sido iniciadas. 

Por que tem esse nome?

O sufixo "corona" deriva da aparência de todos os vírus da família, incluindo o Covid-19. Observados por microscópios, eles possuem pontos ao redor de uma estrutura central, semelhantes a uma coroa. Para diferenciá-lo de outras variações semelhantes, a OMS nomeou o vírus responsável pelo atual surto de Covid-19, sigla que junta as palavras "corona", "vírus" e "doença" e seus equivalentes em inglês, seguido do ano em que primeiro foi registrado (2019).

Quais os sintomas do coronavírus?

Os sinais e sintomas do coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado, como febre, tosse, coriza e dificuldade para respirar. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. No entanto, o coronavírus ainda precisa de mais estudos e investigações para que seus sintomas sejam melhor caracterizados.

O que fazer em caso de sintomas?

O paciente que desconfiar estar contaminado deve procurar o serviço de saúde mais próximo. Um profissional deve avaliar os sintomas e a probabilidade de infecção, coletar material para diagnóstico e iniciar o tratamento. Embora não tenha tratamento específico, os especialistas indicam repouso e hidratação; uso de medicamentos para dor e febre (antitérmicos e analgésicos); banho quente para auxiliar no alívio da dor de garganta e tosse. Caso os sintomas sejam mais intensos, um médico poderá optar pela hospitalização.

Como o coronavírus é transmitido?

A transmissão pode ocorrer pelo ar ou por contato com secreções contaminadas (como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro), por contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, ou com superfícies contamadas seguidas de toques nos olhos, boca ou nariz.

Como se prevenir?

As principais orientações das autoridades sanitárias incluem: cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar; evitar tocar as mucosas dos olhos, nariz e boca; não compartilhar objetos de uso pessoal; lavar as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos e usar álcool em gel; usar lenços descartáveis para higiene nasal. 

O coronavírus mata?

A morte do paciente pode acontecer em razão de complicações com insuficiência respiratória. Entretanto, de acordo com a OMS, a taxa de letalidade é de cerca de 3% dos casos confirmados.

Como o coronavírus leva à morte?

Embora tenha sintomas semelhantes, diferentemente de uma gripe comum o coronavírus pode causar infecções do trato respiratório inferior e causar graves pneumonias. Levantamento sobre os casos registrados até aqui indicam que mortalidade é bem maior em pessoas acima de 60 anos ou que já sofram de outras doenças.