Brasil tem 34 casos confirmados do novo coronavírus, diz Ministério da Saúde


Natália André Da CNN Brasil, em Brasília
10 de março de 2020 às 16:20 | Atualizado 10 de março de 2020 às 21:32
Passageiros usam máscara de proteção no metrô de São Paulo

Passageiros usam máscara de proteção no metrô de São Paulo

Foto: Rahel Patrasso - 6.mar.2020/Reuters

O Brasil chegou a 34 casos confirmados do novo coronavírus nesta terça-feira (10), informou o Ministério da Saúde em Brasília. A OMS (Organização Mundial da Saúde) também chama a doença de COVID-19.

Os pacientes estão distribuídos por oito estados. São Paulo tem 19, seguido por Rio de Janeiro (8) e Bahia (2). Alagoas, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul têm um caso confirmado cada. O Ministério da Saúde investiga 893 casos suspeitos e descartou 780.

Dos 34 pacientes, seis foram infectados por meio da transmissão local, ou seja, a partir do contato com pessoas com a doença já aqui no Brasil; cinco em São Paulo e um na Bahia. Os outros 28 são casos confirmados de transmissão importada, o que significa que essas pessoas foram infectadas em outros países e entraram no Brasil já doentes.

Ainda não há no Brasil a transmissão sustentada, quando não é mais possível rastrear a origem do contágio.

O caso no Rio Grande do Sul foi confirmado nesta terça. Segundo o governo gaúcho, o paciente é um homem de 60 anos, morador da cidade de Campo Bom, que viajou para a Itália em fevereiro. Ele está em isolamento domiciliar.

Caso grave no DF

Há pelo menos um caso grave de COVID-19 no Brasil. Uma paciente do Distrito Federal, de 52 anos, teve febre alta e segue respirando por aparelhos. 

Nesta manhã, o marido dela foi intimado pela Justiça do Distrito Federal depois de ser recusar a fazer os exames para a doença. Ele passou pelo procedimento e o resultado deve ser divulgado ainda hoje.

O marido da paciente estava acompanhando a esposa no hospital durante os últimos e recebeu ordem judicial para ficar isolado em casa. Caso descumpra a determinação, a multa é de R$ 5 mil a R$ 20 mil.

Segundo o Ministério da Saúde, há mais quatro pessoas internadas no Brasil por causa do novo coronavírus, mas só o governo do Distrito Federal divulgou detalhes sobre o estado de sua paciente.

Atendimento em postos

O Ministério da Saúde reforçou nesta quarta-feira que 90% dos casos de coronavírus podem ser atendidos nos postos de saúde, que somam mais de 42 mil unidades no país, uma vez que a grande maioria dos registros da doença é leve e pode ser tratada com atenção primária.

"Os postos de saúde são a porta de entrada do cidadão na rede de saúde. São as unidades que estão mais próximas de onde as pessoas moram e trabalham. São as unidades que as pessoas devem recorrer inicialmente", disse a secretária substituta de Atenção Primária, Caroline Santos.

Segundo comunicado da pasta, a intenção do governo é ampliar o horário de funcionamento de 5.200 unidades de saúde em cerca de 1.500 municípios, o que ampliaria a cobertura de atendimento para 40 milhões de pessoas. Serão priorizados postos em cidades onde já existam casos confirmados.

Novo coronavírus no mundo

O número de casos confirmados pela OMS até a tarde desta terça chegou a 113.851, com 4.015 mortes em 110 países ou territórios.

A China ainda é o país com mais casos, com pouco mais de 80 mil. No entanto, a Itália já vem em segundo lugar (9.172), e a França superou o Japão para ocupar o quinto lugar da lista (1.402), o que reflete o avanço do COVID-19 na Europa.

Desde o fim de janeiro, a OMS trata o surto do novo coronavírus como uma emergência de saúde pública internacional. 

As medidas de proteção são as mesmas utilizadas para prevenir doenças respiratórias. Se uma pessoa tiver febre, tosse e dificuldade de respirar, deve procurar atendimento médico assim que possível e compartilhar o histórico de viagens com o profissional de saúde; lavar as mãos com água e sabão ou com desinfetantes para mãos à base de álcool; ao tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz com o cotovelo flexionado ou com um tecido — em seguida, jogar fora o tecido e higienizar as mãos. 

Com Reuters