Brasil está preparado para enfrentar pandemia de coronavírus, diz infectologista


Da CNN Brasil, em São Paulo
12 de março de 2020 às 17:28
Coronavírus: passageiros com máscaras no aeroporto internacional do Rio de Janei

Passageiros com máscaras no aeroporto internacional do Rio de Janeiro (05.mar.2020)

Foto: PIlar Olivares/Reuters

Depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar que o coronavírus é uma pandemia global, autoridades e especialistas de saúde brasileiros disseram acreditar que a disseminação da doença pode acontecer rapidamente e que as redes hospitalares precisam estar preparadas para receber uma alta demanda de pacientes em estado grave. Caso contrário, o Brasil pode ter um colapso no sistema de saúde semelhante ao da Itália — o país europeu tem 12.462 de pacientes confirmados com a doença, segundo o último levantamento da OMS.

Para o infectologista João Prats, a pandemia da doença não é motivo para pânico. "O Brasil está bem preparado do ponto de vista laboratorial e hospitalar. Nós já recebemos outras pandemias, como a H1N1 em 2009, e fizemos planos de contingenciamento. Isso significa que temos experiência em cuidar de grandes emergências. Sabemos como trabalhar", afirma. 

Segundo o especialista, o Brasil não está no estágio em que a população deve restringir as atividades cotidianas. “Nesse primeiro momento permanece, sim, os cuidados individuais: lavar bem as mãos com água e sabão, usar álcool em gel e evitar aglomerações e contato com pessoas doentes”.

Além disso, diferentemente do que muitas pessoas acreditam, as máscaras não previnem o contágio. Elas servem para reter a transmissão. Ou seja, são indicadas somente para as pessoas que estão com suspeita ou que já contraíram o novo coronavírus.

Tomar vitamina D e C também não funciona como prevenção contra o novo coronavírus. “Até o momento não existe nenhum medicamento específico ou vacina que previne a infecção”, afirma Prats.

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o contágio do COVID-19 é maior que o do H1N1 e menor que o do sarampo. “Isso se deve porque o sarampo fica muito tempo no ambiente e o coronavírus, não. A tosse então não é a grande causa do novo coronavírus. A causa mesmo é a contaminação da superfície. Por isso a importância de higienizar os ambientes com produtos de limpeza”, diz.  

Quem deve buscar o hospital?

Pessoas com sintomas leves de gripe não devem procurar o pronto socorro. O sintoma-chave para buscar atendimento médico é a dificuldade de respirar. Para Prats, o Ministério da Saúde está trabalhando bem ao contratar pessoas para atender nas unidades básicas de saúde. "A ideia é atender os pacientes com risco de estar infectadas, mas longe dos hospitais para evitar aglomeração no pronto socorro", esclarece.

Já as pessoas que tiveram contato com alguém doente ou viajado para países com alta circulação da doença, mesmo com sintomas leves, devem procurar o sistema de saúde.

COVID-19 no mundo

De acordo com a OMS, há 125.288 casos confirmados em 118 países ou territórios. Já são 4.614 mortes no mundo. No Brasil, segundo informou o Ministério da Saúde na tarde desta quinta-feira (12), tem 77 casos confirmados.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está sendo monitorado no Palácio do Alvorada após o secretário de Comunicação da Presidência da República (Secom), Fabio Wajngarten, ter resultado positivo para o novo coronavírus.