Vacina contra coronavírus deve levar 3 a 4 meses para chegar ao Brasil


14 de março de 2020 às 15:58
Funcionário de laboratório na China

Funcionário de laboratório veste traje de proteção em Qinhuangdao, na China

Crédito: China Daily / Reuters (11.fev.2020)

O diretor do laboratório multipropósito do Instituto Butantan, Renato Astray, afirmou à CNN Brasil nesta sexta-feira (28) que, até o momento, a instituição não está desenvolvendo vacina contra o coronavírus (Covid-19) e que essa produção ainda é exclusiva do Moderna, laboratório norte-americano que anunciou ter iniciado a produção para testes nesta semana.

Ainda segundo Astray, para ser disponibilizada no Brasil, a vacina produzida nos Estados Unidos terá de passar por um processo de importação que deve levar entre três a quatro meses, e é de responsabilidade do Ministério da Saúde - que ainda não falou oficialmente sobre a possibilidade.

Apesar do prazo parecer distante, o especialista do Butantan aponta que a perspectiva é positiva diante do cenário atual. "Tradicionalmente, a gente costuma informar que, para ficar pronta, uma vacina leva uns dez anos. O que está acontecendo é que, hoje, existem plataformas que são um pouco mais flexíveis, então isso leva que se utilize elementos de uma vacina anterior e isso encurta um pouco o tempo de desenvolvimento, mas em geral, não vai levar menos do que um ano", esclareceu.

Nesta semana, a empresa responsável pela vacina desenvolvida nos Estados Unidos informou que ela já está pronta para testes e foi enviada a autoridades de saúde no país para que a próxima fase do desenvolvimento possa ser iniciada.

Foco no combate à gripe

O Instituto Butantan ainda informou que deverá focar na imunização contra a gripe a fim de evitar que as pessoas fiquem doentes e comprometam a ocupação de hospitais em caso de eventual aumento de casos confirmados de coronavírus. 

Para ampliar o acesso, o centro de pesquisa aumentou em 10 milhões as doses de vacina contra gripe comum - que serve também para H1N1, mas não para a novo coronavírus. Ao todo, serão 75 milhões de doses para a campanha deste ano.