Crise do coronavírus no Brasil deve durar meses, afirma infectologista


Da CNN Brasil, em São Paulo
17 de março de 2020 às 21:12
Contra o novo coronavírus, mulher usa máscara em São Paulo

Contra o novo coronavírus, mulher usa máscara em São Paulo

Foto: Amanda Perobelli - 16.mar.2020/Reuters
 
Há 291 casos confirmados do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde. João Prats, infectologista do hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, afirma que não há uma estimativa de quanto tempo a epidemia vai durar no país, mas acredita que o surto da doença deve perdurar mais alguns meses. 

Por isso, o especialista ressalta a importância dos esforços para conter a disseminação do vírus. Entre as maneiras de alcançar a redução no número de casos estão o estímulo a medidas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão com frequência e, para aquelas pessoas que têm a opção de ficar em casa, adotar o isolamento. “Se nós reduzirmos bastante a transmissão, é possível que tenhamos menos casos em um período um pouco maior”, diz. 

São Paulo é o estado com o maior número de casos, com 164 diagnósticos confirmados. Depois vêm o Rio de Janeiro, com 33, e o Distrito Federal, com 21. 

Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro há casos decorrentes de transmissão comunitária, ou seja, quando não é mais possível identificar a origem do contágio. Segundo Prats, é assim mesmo que uma epidemia funciona: viajantes infectados passam a doença para outras pessoas e, mais tarde, essas pessoas começam transmitir para terceiros que nunca tiveram relação com os viajantes. 

“O Brasil é um país de dimensões continentais. O estado de São Paulo está no momento de transmissão comunitária. Portanto, uma vez que atinge esse estágio, é realmente exponencial o crescimento. A grande questão é o que vamos fazer para essa curva se estabelecer. A ideia é evitar que ocorram muitos casos ao mesmo tempo e acabar sobrecarregando nosso sistema de saúde”, explica.