Estudo projeta aumento de mais de 1.000% no nº de casos de coronavírus no Brasil


Iuri Corsini Da CNN Brasil, no Rio
18 de março de 2020 às 16:26 | Atualizado 18 de março de 2020 às 19:08
Contra o novo coronavírus, mulher usa máscara em São Paulo

Contra o novo coronavírus, mulher usa máscara em São Paulo

Foto: Amanda Perobelli - 16.mar.2020/Reuters

Um estudo inédito divulgado na terça-feira (17) pelo Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), formado por cientistas da PUC-RJ, Fiocruz e Instituto D'or, mostrou uma projeção da quantidade de casos de coronavírus até 26 de março no Brasil.

De acordo com o documento, ao qual a CNN Brasil teve acesso, o país poderá chegar a 4.970 infectados pelo vírus, no pior cenário. A projeção corresponde a um aumento de 1.343% (com base nos números atualizados no dia 18), destacando o Rio de Janeiro e São Paulo. Em apenas 11 dias, o Rio passaria de 24 casos para 596 e São Paulo, de 136 para 3.380 --levando-se em consideração os casos confirmados até o dia 16 de março, tal qual fez o estudo.

Numa expectativa otimista, é possível chegar ao número de 2.314 casos confirmados, sendo 278 no Rio de Janeiro e 1.573 em São Paulo. A mediana é de 3.750 casos, o que corresponde a um aumento de 1.013% no número de infectados. Nesse cenário o Rio teria 450 pessoas contaminadas e São Paulo, 2.550. 

O levantamento envolveu pesquisadores do Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino e a Fiocruz. 

De acordo com a publicação, “estes cenários foram baseados nas taxas de crescimentos de uma ‘cesta’ composta pelas taxas de crescimento de Irã, Itália, Coreia do Sul, Espanha, França, Alemanha, China e EUA, e projetados a partir dos 50 primeiros casos”. 

Os pesquisadores destacam que o comportamento da população diante do fato, assim como a disponibilidade de recursos humanos e financeiros, pode afetar a projeção.

A forma como as pessoas vão aderir às medidas de contingenciamento solicitadas pelos órgãos competentes, como reclusão, por exemplo, podem mudar positivamente os números apresentados. Assim como a não adesão a essas medidas pode puxar o número para um cenário ainda pior.