Coronavírus: SP antecipa férias de professores e suspende aulas a partir de 2ª


Leonardo Lellis e Karla Chaves Da CNN Brasil, em São Paulo
19 de março de 2020 às 13:20 | Atualizado 19 de março de 2020 às 16:20

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) (13.mar.2020)

Foto: João Alvarez/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O governo de São Paulo vai antecipar as férias de todos os professores da rede pública de ensino a partir da próxima segunda-feira (23) como medida preventiva à propagação do novo coronavírus. O anúncio foi feito pelo governador João Doria (PSDB) em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. O prefeito Bruno Covas (PSDB), presente na coletiva, também anunciou a suspensão dos trabalhos dos professores da rede municipal.

Estado e município haviam iniciado a suspensão das aulas na rede pública de forma gradual, mas a partir de segunda-feira ela se torna efetiva para toda as unidades. A medida afeta 3,5 milhões de alunos na rede estadual e 1 milhão na municipal. A USP (Universidade de São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade de Campinas) já estão com suas atividades suspensas.

Outras medidas anunciadas foram a suspensão de cobrança da tarifa social da Sabesp para 506 mil famílias de baixa renda e os protestos de pessoas físicas e jurídicas inscritos na dívida ativa do estado. Essas cobranças serão suspensas por 90 dias a partir de 1º de abril Doria ainda recomendou a suspensão das atividades de igrejas e templos a partir de segunda-feira pelo período de 90 dias.

Segundo Doria, a recomendação vale apenas para a capital e região metropolitana. “Igrejas poderão continuar abertas para receber fieis, obedecendo o mínimo de três metros de distância entre um e outro”, explicou. O governador também disse que contou com a compreensão de todos os líderes religiosos de São Paulo.

O governador ainda anunciou um acordo com a Apas (Associação Paulista de Supermercados) que prevê a venda de álcool em gel sem margem de lucro em todos os estabelecimentos do estado para reduzir o valor do produto que vem sem usado para prevenir o contágio pelo COVID-19. Uma medida semelhante está em negociação com a associação que representa farmácias e drogarias.

Doria criticou a interrupção do serviço de ônibus nas cidades nas cidades do ABC paulista e pediu que os prefeitos e outros governadores não adotem nenhuma medida de restrição ao transporte ou de fechamento de rodovias e aeroportos. “Não podemos ter interrupção logística, de ônibus, nem limitação de acesso a aeroportos. Isso não pode acontecer. Fechar estradas, bloquear portos e aeroportos não é adequado”.

Segundo o secretário de Saúde Henrique Germann, não houve atualização nos números de contaminados pelo novo coronavírus no estado: 240 casos confirmados e quatro mortes. Ainda de acordo com o secretário, há 16 pacientes internados em estado grave, dois deles no hospital estadual Emílio Ribas, com suspeita de coronavírus — os casos não foram confirmados.

Baixada Santista

Os prefeitos da Baixada Santista, que concentra boa parte do turismo no litoral paulista, se reuniram nesta quinta-feira para decidir medidas para evitar o contágio pelo COVID-19.  Entre os anúncios feitos hoje está a restrição total de acesso à faixa de areia, incluindo barracas, cadeiras, guarda-sol e ambulantes na praia — segundo a assessoria da prefeitura de Santos, a Polícia Militar poderá ser chamada caso alguém se recuse a sair da praia.

A região é formada pelos municípios de Santos, Guarujá, São Vicente, Mongaguá, Praia Grande, Peruíbe, Itanhaém, Cubatão e Bertioga.

Academias, casas noturnas e igrejas devem fechar as portas a partir de sexta-feira. Já os shoppings devem abrir apenas serviços essenciais como supermercados e farmácias. Bares, restaurantes e lanchonetes receberão a recomendação de reduzir 30% deu suas cadeiras e mesas.

Com o objetivo de desestimular o turismo na região, os prefeitos também vão determinar que hotéis não recebam mais hóspedes e suspendam suas atividades. Os imóveis de veraneio também serão monitorados para evitar seu uso por pessoas em cumprimento de quarentena.

Os prefeitos também farão um pedido ao governo do estado para autorizar a restrição do funcionamento das rodoviárias — exceto para casos excepcionais de saúde e segurança — e a divulgação de uma campanha para desestimular o uso das rodovias sistema Anchieta/Imigrantes, que liga a Baixada Santista à capital paulista.

As cidades também vão suspender os atendimentos agendados das unidades básicas de saúde (exceto consultas pré-natal) e vão pedir a disponibilização de 14 leitos de UTI para Bertioga, 14 para Praia Grande, 4 para São Vicente e 20 para o Guarujá.