Leite diz que vai decretar calamidade pública no RS por conta do coronavírus

O governador também elogiou as medidas anunciadas pelo governo federal, mas afirmou que 'precisam ir muito além' para conter a possível 'hecatombe' econômica

Da CNN Brasil, em São Paulo
18 de março de 2020 às 21:23 | Atualizado 18 de março de 2020 às 21:33

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), disse em entrevista exclusiva à CNN que vai decretar estado de calamidade pública no estado nesta quinta-feira (19) devido à pandemia do novo coronavírus (COVID-19). Leite também elogiou as medidas anunciadas pelo governo federal, mas afirmou que “precisam ir muito além” para conter a possível “hecatombe” econômica decorrente da doença. 

O governador não deu detalhes sobre o decreto de estado de calamidade pública, mas afirmou que a medida trará "novas restrições para impor o distanciamento social."   

Após a entrevista, pelo Twitter, Leite disse que se trata de "uma medida drástica, mas necessária no momento delicado que vivemos." 

Segundo o Ministério da Saúde, nesta quarta-feira (18), o Rio Grande do Sul tinha 19 casos confirmados e 416 casos suspeitos do novo coronavírus. O Brasil chegou a quatro mortes decorrentes da doença hoje, todas no estado de São Paulo, e a 428 casos confirmados em todo o país. 

'Não temos fôlego fiscal' 

O governador gaúcho elogiou as medidas adotadas até o momento pelo governo federal para tentar conter os impactos econômicos e sociais da pandemia, mas afirmou que uma presença maior do Estado se faz necessária neste momento. 

Leite ponderou que, apesar de ser defensor da austeridade fiscal, o momento é de "absoluta excepcionalidade” e exige que tais regras sejam colocadas de lado em prol de políticas para "amenizar os dramas que vão se impor a milhões de pessoas".  

Segundo o governador, os estados e municípios não têm “fôlego fiscal” e já estão numa “crise absurda”. Por isso, o governo federal é quem deve tomar à frente, disse ele, em três frentes: crédito, apoio às contas públicas de estados e municípios e apoio aos mais pobres. 

"Na questão econômica, não haverá fôlego por parte dos entes subnacionais [estados e municípios] para sozinhos darem conta de toda a demanda que virá do setor privado pela quebra de empresas, dificuldades impostas na vida de milhões de trabalhadores”, disse.  

Segundo Leite, só o governo federa tem fôlego financeiro para "compreender essa hecatombe que nós poderemos viver em função do impacto das medidas de restrição na economia, e que vai demandar, sim, que se mude a forma de pensar para esta absurda excepcionalidade que vamos viver." 

Leite também considerou boa o que avaliou como "mudança de postura” do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus. 

"O presidente da República precisa assumir e comandar”, disse. "Precisa de engajamento da sociedade, e o presidente precisa dar o exemplo.”  

Reforço na saúde 

Leite disse que a Assembleia Legislativa gaúcha vai votar amanhã dois projetos que têm como objetivo reforçar a vigilância em saúde, a regulação do uso de leitos hospitalares e a orientação à população sobre o novo coronavírus. As férias de servidores estaduais foram suspensas. As aulas na rede estadual estão suspensas, e o governo gaúcho recomendou que a rede particular faça o mesmo. 

Segundo o governador, a administração já está contratando o aluguel de equipamento de ventilação mecânica para enfrentar os casos mais graves de COVID-19, mas afirmou que “se não houver controle da disseminação, eles serão insuficientes.”