Isolamento social: excesso de tecnologia pode agravar ansiedade


Evandro Cini Da CNN Brasil, em São Paulo
20 de março de 2020 às 23:37 | Atualizado 21 de março de 2020 às 04:29

A recomendação do Ministério da Saúde é clara: os idosos devem ficar em casa, e quem ainda não chegou à terceira idade e puder fazer quarentena, deve seguir a mesma orientação.

Com a mudança de hábito, as operadoras de banda larga fixa registraram aumento de 40% no consumo de internet nas residências. Os aparelhos eletrônicos, especialmente os celulares, têm sido usados como aliados para manter alguns serviços, e também contra o tédio. Mas é aí que mora um outro perigo.

No isolamento, o ideal, segundo os médicos, é se desconectar um pouco da tecnologia porque o excesso de informação faz a ansiedade aumentar. E essa angústia é responsável por síndromes que provocam esgotamento físico e mental. 

"Nosso cérebro tende a entender aquilo como uma situação de risco. Ou seja, minha pressão arterial vai subir, minha frequência cardíaca, meus músculos vão ficar mais retesados. Isso cria uma resposta ao sistema simpático de enfrentamento e, obviamente, a medida que isso se torna repetitivo, o primeiro efeito que eu vou ter é a diminuição do meu sistema imunologico", explica Cristiano Nabuco, psicólogo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.
 
Por isso, é bom investir em hábitos simples, como ouvir uma boa música, praticar exercícios físicos, alongamento e meditação e fazer pausas de 40 minutos durante o trabalho em casa.

Trocar os aparelhos eletrônicos por livros também é um remédio melhor do que a gente imagina. "Pessoas que leem o material impresso tem uma absorção de três a quatro vezes maior do que aqueles indivíduos que estão em tela. Ou seja, a leitura na tela naturalmente induz um quadro maior de ansiedade e de sobrecarga de informação para que a nossa mente possa processá-la", explica Nabuco.

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