Ministério da Saúde terá 10 milhões de testes para casos leves de coronavírus

Da CNN Brasil, em São Paulo
21 de março de 2020 às 18:52
Testes de medicamentos contra o COVID-19 em um laboratório na cidade de Lake Success, em Nova York
Foto: Shannon Stapleton/Reuters

O Ministério da Saúde anunciou que providenciará 10 milhões de testes rápidos para realizar mais provas em pacientes com coronavírus em pacientes com sintomas leves. Os testes foram doados pela mineradora Vale. De acordo com o secretário de vigilância, Wanderson Oliveira, um carregamento de 5 milhões será distribuído aos estados em até oito dias. 

“Esses testes serão priorizados para serem entregues a profissionais e para unidades básicas de saúde. Em breve, vamos fazer uma estratégia igual à da Coreia do Sul, que fez uma espécie de drive-thru de testes”, diz Wanderson Oliveira, secretário em Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

Segundo o secretário, o custo de cada teste é de R$ 75, o que resultaria em um gasto de R$ 375 milhões para os primeiros 5 milhões. Segundo João Gabbardo, secretário-executivo do Ministério da Saúde, o dinheiro pode vir de doação da mineradora Vale. Se a empresa não liberar o dinheiro, o próprio governo vai desembolsar a quantia.

Aumento de casos

O governo federal atualizou neste sábado para 1128 o número de casos de COVID-19 no país. O número de mortes chegou a 18 mortes, representando uma letalidade de 1,6%.. A segunda região com mais casos é o Nordeste (168 casos), seguido pelo Sul (154 casos), Centro-Oeste (138 casos) e Norte (26 casos).

 O governo também afirmou que não divulgará mais casos suspeitos. Segundo o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, o governo está seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. 

Segundo o secretário, como já houve uma proliferação da doença, tendo infectados que não estiveram em outros países em que a doença já havia disseminado ou nem mesmo contato com outros viajantes, a opção é apenas de apresentar os dados confirmados.

Ajuda de outros países

O Ministério da Saúde também está em contato com outros países para conseguir obter equipamentos de proteção individual, além daqueles necessários para funcionamentos de UTIs e laboratórios. Segundo o secretário, há contatos com diversos países, como China, Coreia e Índia. Outro problema que está sendo resolvido é com o envio de respiradores para a Itália, que estavam bloqueados.

“O envio desses equipamentos para a Itália é como uma parceria. Vamos ajudá-la a ter uma redução e, provavelmente, a Itália ajudará ao Brasil quando tivermos uma situação de maior gravidade no futuro. A orientação do ministro é que, se pudermos ajudar algum país, vamos ajudar. E esse país nos ajudará no futuro”, disse o secretário.

O governo afirmou que já há a disponibilidade de navios de cruzeiro para serem utilizados como locais de tratamento. “Se o Estado necessitar dessa solução, ela estará disponível”, diz Reis. “As empresas continuam colocando embarcações à disposição.”

Cautela com hidroxicloroquina

Foi questionada a decisão do presidente Jair Bolsonaro, anunciada nas redes sociais, de aumentar a produção de cloroquina e hidroxicloroquina contra a COVID-19. De acordo com Reis, esses remédios estão sendo vistos como uma opção para o tratamento de pacientes graves e, caso isso seja confirmado, haverá uma ampliação de produção.

“Por isso, o presidente autorizou que o Exército possa fazer isso. Porém, ainda são protocolos clínicos experimentais para avaliar os benefícios com síndrome respiratória grave”, disse Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério. 

O Ministério da Saúde pretende elaborar uma nota sobre a utilização desses medicamentos. No entanto, para evitar uma corrida para a farmácia, os secretários afirmaram que houve um bloqueio da retirada desses remédios sem receita.

No momento, apenas pessoas com receita para tratamento de enfermidades como malária, lúpus e artrite reumatoide. “Ninguém vai poder guardar esse remédio pensando no coronavírus. Além disso, ele tem uma série de efeitos colaterais e não é para quem está gripado”, diz o secretário-executivo.

A respeito do aumento da taxa de letalidade, o governo afirmou que não há número de casos suficientes para saber se a taxa do Brasil ficará acima ou abaixo da média mundial. “A taxa do Brasil é de 1,6% e a média global é de 3,5%. Porém, ainda temos um número pequeno de casos para ter uma confiabilidade dessa taxa”, diz Reis.

Vacinação contra gripe

A respeito do início da campanha de vacinação contra a gripe, que será iniciada na próxima segunda-feira, o governo reiterou que o público-alvo será acima das pessoas acima dos 60 anos. Segundo o Ministério, houve uma recomendação de adiamento da vacinação de crianças até para que haja o número suficiente de vacinas para idosos e profissionais da saúde.

O governo também está alinhando dados de pacientes infectados que estão internados em unidades de tratamento intensivo. Por enquanto, há apenas o número de 30 pessoas que estão em São Paulo. “Houve um aumento no número de internações de pessoas em Pernambuco, mas que não se enquadravam como pacientes com COVID-19. Isso necessitou uma validação do Ministério da Saúde, então estamos organizando a captação desses dados para também começar a divulgá-los com regularidade”, diz Reis.