Aumento de procura faz máscaras hospitalares ficarem até 3.000% mais caras


Da CNN, em São Paulo
26 de março de 2020 às 23:51

O crescimento de casos do novo coronavírus no Brasil já começa a testar os limites do sistema de saúde do país, não pela quantidade de leitos de UTI ou respiradores, mas sim com os equipamentos de segurança individual, como luvas e aventais. Destes equipamentos, o mais procurado têm sido as máscaras, que se tornar um “símbolo” da pandemia, com diversas pessoas utilizando-as no dia a dia, mesmo que a recomendação de uso seja apenas para confirmados com a doença e profissionais de saúde.

A enorme demanda já traz os efeitos no preço: em São Paulo, uma caixa com 50 máscaras poderia ser comprada por R$ 4,50 em janeiro. Atualmente é possível encontrar o produto por até R$ 140, um aumento de 3.011% no preço. Em Belo Horizonte um hospital chegou a pagar até 3.400% mais caro pela caixa do insumo básico na luta contra coronavírus.

O aumento abusivo de preço liga sinal de alerta nos hospitais do país, que verá um aumento de gastos sem o crescimento da arrecadação, como explica Antonio Penteado Mendonça, provedor da Santa Casa. ”É uma situação de emergência. Não houve aumento dos recursos, mas vai haver aumento brutal da prestação de serviços que vamos ter que oferecer”.

Para tentar diminuir os impactos da questão, o hospital, mantido pelo estado de São Paulo, lançou a campanha “batalha pela vida”, onde dinheiro arrecadado será usado para a compra de equipamentos de proteção.

Para Yussif Ali Mere Junior, presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (FEHOESP) e Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP), o momento é de atuação do governo.

“Neste momento o gasto do material se torna maior por unidade, então é urgente controlar os abusos. O poder público deve usar todos os seus poderes e influência para que isso não venha prejudicar o cidadão”.