RS vai usar técnica de pesquisa de opinião para ampliar testes do coronavírus


Iuri Pitta
Por Iuri Pitta, CNN  
26 de março de 2020 às 11:19

Epidemiologistas do Rio Grande do Sul preparam um sistema de teste do novo coronavírus por amostragens da população, para levantar uma base de dados mais completa e estimar a propagação do vírus e seu comportamento.

Reunidos em um comitê criado pelo governador Eduardo Leite (PSDB), os pesquisadores gaúchos esperam ter condições de começar o levantamento a partir da próxima semana.

A ideia é adotar técnicas semelhantes às usadas em pesquisas de opinião pública, em que se consegue fazer projeções válidas para a população como um todo a partir de estratos, definidos com base em critérios como gênero, raça, faixa etária e condição socioeconômica. Com isso, Leite espera contar com um monitoramento mais completo do quadro de pessoas infectadas e das acometidas pela COVID-19. 
Atualmente, o Brasil tem dado preferência ao teste de casos graves de doença respiratória – a medida é adotada para fazer um uso mais eficiente dos recursos, mas tem como contrapartida a subnotificação de pessoas infectadas sem gravidade.


O Rio Grande do Sul já registrou uma morte pela doença e, até a tarde de quarta-feira (24), contabilizava 162 casos. O site do governo estadual informa os registros oficiais também por mapa: mais da metade (87) se concentram em Porto Alegre e os demais se espalham por outros 37 municípios. Pelas condições climáticas e perfil populacional (inverno rigoroso para os padrões brasileiros e grande contingente de idosos), o Estado é um dos que mais despertam preocupação das autoridades de saúde em relação ao coronavírus.

Decisão com base em evidências


Na reunião por teleconferência de governadores, realizada na tarde de quarta-feira, o tucano destacou aos colegas a importância de tomar decisões com base em evidências científicas e dados. Mais jovem governador do país, Leite, de 35 anos, estudou administração pública em São Paulo e Nova York entre o fim do mandato como prefeito de Pelotas, em 2016, e a votação na qual se elegeu, dois anos depois.