Se SP ampliar restrições, deve assumir que não segue ministério, diz secretário


Anna Satie da CNN, em São Paulo
26 de março de 2020 às 21:02
O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, em entrevista coletiva sobre a evolução do COVID-19 no Brasil

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse em entrevista coletiva nesta quinta (26) que uma eventual ampliação da quarentena no estado de São Paulo não segue a orientação da pasta.

"Até então, as secretarias estaduais vinham conversando com o ministério para combinar os próximos passos. Se o estado de São Paulo decidir tomar decisões sozinho, vamos recomendar que não digam que estão de acordo com o Ministério da Saúde", disse Gabbardo. "São Paulo deverá assumir, caso imponha mais restrições, que não está em acordo com o Ministério".

O secretário ressaltou que o governo federal não recomenda o isolamento total. "Se não é necessário, é melhor não circular. Mas não defendemos que as pessoas fiquem sem poder caminhar no parque. Por que duas, três pessoas vão ficar socadas em um apartamento?", questionou. "Não apoiamos a proibição de caminhadas na quadra, no parque, perto de sua residência. Isso faz bem para as pessoas, até para enfrentarem o tempo longo dessa situação", disse.

Repetindo declaração do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no dia anterior, Gabbardo disse também que as igrejas não precisam fechar. "As pessoas devem evitar a circulação no sentido de evitar aglomerações. A igreja não precisa fechar, só não devem participar de um culto com 500, mil pessoas. Essa é a orientação do Ministério da Saúde".

No entanto, ele disse que, caso medidas mais drásticas sejam decretadas nos estados, devem ser obedecidas. "Não iremos dizer que não se cumpram as orientações. Não é o nosso papel. Se as recomendações [estaduais] extrapolam o que o Ministério recomenda, as pessoas devem cumprir para que não haja caos social".

O secretário da Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, ressaltou que a imposição de medidas mais duras cabe a cada estado. "Vamos observar. Se essa medida estiver certa, talvez seja o caminho. Ainda bem que temos um país democrático, em que os gestores podem adotar medidas de acordo com a comunidade", disse.

"Não vamos criticar as medidas depois de tomadas. O que vamos fazer é apoiar os estados para que a economia volte a funcionar assim que possível", completou Oliveira.

Gabbardo concordou com o outro secretário. "Queremos participar das decisões. O que não pode acontecer é dizer que vão fazer algo independentemente e, depois, dizer que estão em consonância com o ministério".

De acordo com balanço divulgado nesta tarde pelo secretário da Saúde de São Paulo, Henrique Germann, o estado tem 862 casos confirmados e 48 mortes por COVID-19.

Germann explicou que as medidas impostas no estado, até o momento, são de distanciamento social.  "O próximo passo, se houver necessidade, é um isolamento domiciliar ou social. E, ainda se houver necessidade de apertar ainda mais esse cinto, aí seria o lockdown, com uso da força policial para manter as pessoas em casa. Não estamos nesta situação, mas ainda não sei se estaremos ou não".

Até o momento, a quarentena estadual está mantida até 7 de abril.

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