OMS pede que países não usem remédios não autorizados contra coronavírus


27 de março de 2020 às 13:33 | Atualizado 27 de março de 2020 às 14:39
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, pediu respeito ao isolamento pelo COVID-19

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, fez discurso focado nos jovens: ‘respeitem o isolamento’

Foto: Denis Balibouse - 28.fev.2020/ Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta sexta-feira (27) que países não usem medicamentos contra o coronavírus que ainda não tenham sua eficácia comprovada cientificamente.

O alerta foi feito pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon. Ele afirmou que isso pode ser prejudicial para a saúde das pessoas. "Uma coisa é um teste num tubo de ensaio, outra com uma pessoa", declarou.

Ele citou o caso do vírus ebola, quando o uso de medicamentos não aprovados acabou se tornando prejudicial.

O alerta ocorre em meio a decisão do governo brasileiro de autorizar o uso de hidroxicloroquina e azitromicina em casos muito graves.

Além do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente americano, Donald Trump, também é um entusiasta desse tratamento.

Um estudo publicado em março na França indicou a possibilidade de que as duas drogas, uma delas usada contra a malária, podem ser eficazes contra a COVID-19.

O diretor-geral explicou que a criação de uma vacina contra o novo coronavírus deve levar pelo menos 18 meses e que, no meio tempo, as autoridades de saúde devem investir na descoberta de um tratamento medicinal seguro.

Segundo Tedros, pacientes na Europa começarão ainda nesta sexta-feira uma pesquisa experimental com quatro remédios diferentes, na expectativa de que uma combinação deles possa ser eficaz contra a doença. 

O médico comentou também sobre uma reunião remota com 50 ministros da saúde na manhã desta sexta. Na conversa, China, Japão, Coreia do Sul e Singapura compartilharam suas experiências na contenção da pandemia. Os quatro países conseguiram reduzir drasticamente sua curva de contaminação nas últimas semanas. 

“Vários pontos em comum surgiram sobre o que funcionou: a necessidade de detecção rápida e isolamento de casos confirmados; identificação, acompanhamento e quarentena de quem teve contato; a necessidade de otimizar os cuidados com os pacientes; e a necessidade de comunicação com a população para construir confiança e engajar as comunidades na luta”, detalhou a autoridade durante a entrevista coletiva. 

A OMS também falou sobre o sucesso de suas iniciativas de conscientização virtual. O Fundo de Solidariedade criado pela entidade arrecadou 108 milhões de dólares de 203.000 pessoas e organizações. Já seu Alerta de Saúde para WhatsApp, com atualizações sobre a pandemia, chegou a 12 milhões de usuários e ganhou versões em árabe, francês e espanhol, aumentando o alcance do boletim. 

Por outro lado, o número de golpes online usando o nome da Organização também cresceu: “Eu já disse antes que crises como essa trazem o melhor e o pior na humanidade. Nós vimos recentemente um aumento dos golpes, ciberataques e falsidade ideológica usando a OMS, meu nome e o COVID19”, lamentou Tedros. “Sou muito grato a aqueles trabalhando em várias organizações nacionais oferecendo inteligência de cibersegurança para o nosso time.” 

“Gostaria de finalizar com algo que o ministro da Saúde de Singapura, Gan Kim Yong, disse hoje durante a reunião. Nós estamos apenas no começo desta batalha. Precisamos nos manter calmos, nos manter unidos e trabalhar juntos”, defendeu o diretor-geral ao encerrar a entrevista.