Saúde diz que doenças crônicas são risco para coronavírus em qualquer idade


Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
27 de março de 2020 às 20:20

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis

O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, em entrevista coletiva sobre a evolução do COVID-19 no Brasil

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Ministério da Saúde detalhou nesta sexta-feira (27) o perfil dos óbitos confirmados até o momento relacionados ao novo coronavírus. A análise, que considerou 85 das 92 mortes já registradas no Brasil, apontou que 85% das vítimas apresenta pelo menos uma doença crônica considerada fator de risco.

Apesar dos idosos serem o principal grupo de risco, com 89% dos casos analisados sendo de pessoas acima de 60 anos, o secretário-executivo do ministério, João Gabbardo, afirmou que todos os portadores de doenças crônicas são considerados grupos de risco para COVID-19.

"Pessoas que possuem doenças crônicas devem ficar em isolamento, independente da idade", disse Gabbardo. A maior parte das vítimas, segundo a pasta, possuía cardiopatia (47), seguido de diabetes (34), pneumopatia (17), doença renal (10), imunodepressão (10), doença neutrológica (3) e hematológica (3).

O secretário-executivo fez a ponderação em resposta a uma pergunta sobre eventuais alterações nas recomendações oficiais da pasta diante das críticas do presidente Jair Bolsonaro quanto a medidas de quarentena. Segundo ele, que disse que o ministério não fará nenhuma análise sobre o discurso, as orientações permanecerão as mesmas.

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Segundo João Gabbardo, o isolamento é recomendado a todos os que possuem as doenças citadas acima, assim como os manifestem os sintomas ou convivam com outras pessoas nessa situação e os idosos acima de 60 anos. Ele também afirmou que segue recomendado que "todos nós devemos diminuir a circulação para evitar aglomerações".

O Ministério da Saúde ainda estimou entre 30 e 50 mil testes devem ser realizados por dia "para que as pessoas voltem a trabalhar". No começo desta semana, a pasta afirmou que a capacidade total no país ainda era de apenas 6,7 mil, que precisam ser divididos com testes para outras doenças, como aids e dengue.

Cloroquina

Questionado sobre a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) contra a utilização de medicamentos não testados para o tratamento do novo coronavírus, João Gabbardo afirmou que a decisão do governo de autorizar a medicação de casos graves com cloroquina foi fruto de análises técnicas.

“O Brasil é um dos países que mais dominam o uso da cloroquina na saúde clínica. O Brasil, infelizmente, é um dos países com o maior número de casos de malária por ano”, argumentou Wanderson de Oliveira, secretário de vigilância em saúde.