Letalidade da COVID-19 nos países com mais mortes varia entre 0,8% e 11%

Dados foram coletados do site Our World in Data, de pesquisadores da Universidade de Oxford

Luiz Fernando Toledo Da CNN Brasil, em São Paulo
31 de março de 2020 às 05:00 | Atualizado 31 de março de 2020 às 05:25
Boletim epidemiológico do Ministério da Saúde
Foto: Fabio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil
 
A taxa de letalidade por casos de COVID-19 podem variar entre 0,8% e 11% entre os países com mais mortes no mundo, apontam dados coletados pelo Our World in Data, de pesquisadores da Universidade de Oxford, e analisados pela CNN.

Embora o número ainda não seja definitivo, já que a quantidade de pessoas contaminadas ainda não ficou clara --nem o total de mortes--, estes dados podem mostrar não só diferenças entre a quantidade de testes feitos ou velocidade de atendimento, mas também diferenças na estrutura dos países.

A CNN tabulou os casos levantados pela universidade somente entre os países que tiveram mais de 100 mortes. Um número baixo de mortes poderia distorcer as comparações.

Com este filtro, a Itália é o país que apresenta, até o momento, a maior taxa: são 10,7 mil mortes para 97,6 mil casos confirmados (11,04%). Em seguida aparece a Indonésia, com 114 mortes em 1,2 mil casos confirmados (8,87%) e Espanha, com 6,5 mil mortes e 78,7 mil casos (8,28%). Na China, onde a crise teve início, a taxa é de 4% - 3,3 mil mortes em 82,4 mil casos.

No caso da Itália, essa taxa vem subindo a cada dia. Em 5 de março, quando o país registraca 107 mortes, o valor era de 3%. No Brasil, o valor estava em 3,2% no dia 30 --taxa menor que a média mundial, de 4,7%.

A menor taxa de letalidade entre os países com mais de 100 mortes até o momento é a Alemanha: 0,79%, ou 455 mortes em 57,3 mil casos registrados.

Uma das teorias apontadas por especialistas é que a Alemanha, assim como a Coreia do Sul, realizou uma grande quantidade de testes entre a população, o que pode reduzir essa taxa. 

Conforme mostrado em reportagem da CNN, há uma grande diferença entre o número de testes feitos entre os países --à época da publicação, com dados do dia 13 de março, o Brasil estava entre os que menos realizaram exames. 

Outra hipótese é a de que a estrutura do atendimento médico no país às vítimas pode ser melhor do que em outros países. Entre os países com o maior número de casos de COVID-19, por exemplo, a Alemanha é a que tem a maior quantidade de enfermeiros por 1.000 habitantes --13,2, segundo dados do Banco Mundial. No Brasil, são 9,7 por 1 mil habitantes. Nos EUA, que hoje têm a maior quantidade de casos confirmados, a taxa é de 8,6 por mil habitantes.

O número de leitos por 1 mil habitantes também é um dos maiores na Alemanha - taxa de 8,2. Nos EUA, de 2,9, também segundo o Banco Mundial. Em São Paulo, estado com maior número de casos de coronavírus no Brasil, o valor é de 2,2 a cada 1 mil.