Tigresa que testou positivo para coronavírus é caso isolado, diz veterinário


Da CNN, em São Paulo
06 de abril de 2020 às 13:45

O veterinário Fernando Zacchi, que é assessor técnico do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), afirmou, em entrevista à CNN, nesta segunda-feira (6), que o teste positivo de uma tigresa para o novo coronavírus é um caso isolado e que deve ser melhor esclarecido. "Esse é o primeiro que a gente recebe de um animal em zoológico. Existem alguns, que também são poucos, de cães e gatos, mas são situações bem isoladas, que epidemiologicamente não tem significado muito grande", explica ele.

Zacchi ainda considerou que o tipo de exame que foi realizado para se chegar a esse diagnóstico deve ser questionado. "Tem exames que detectam a resposta imune dos animais e outros, que a presença da partícula viral", pontua. "Identificar a partícula viral em um animal - principalmente neste caso em que a tigresa teve contato com o tratador que está com esse vírus - é esperado", afirma ele.

O veterinário exemplifica a situação e tranquiliza donos de animais de estimação. "Da mesma maneira que se testarmos um objeto na casa dele, vai dar positivo, então as pessoas tem que estar bem tranquilas, porque não é o fato de o exame dar positivo que vai dar algum prejuízo para os animais", completa. 

Apesar disso, o veterinário ressalta alguns cuidados de higiene que podem ser tomados, como higienizar as patas do animal (com água e sabão) antes de entrar em casa. Segundo ele, não há estudos que comprovem que o animal pode levar o vírus para casa nas patas, mas "teoricamente existe o risco".

Além disso, o veterinário recomenda evitar contato do animal com as pessoas que estiverem confirmadas com COVID-19 e que os donos, no geral, evitem qualquer contato físico muito próximo com os pets. "Eventualmente, se eu tossir próximo do animal, posso estar carregando alguma partícula para a pelagem dele. Daí, depois, se uma outra pessoa abraçar esse animal, pode acontecer alguma transmissão. Então, para prevenir, melhor evitar", diz.

Contudo, o veterinário frisou que essa capacidade de transmitir o vírus não é comprovada. "Detectar a partícula viral no animal, não quer dizer que ele tem capacidade de replicá-la e transmitir. Epidemiologicamente, o que tem sido observado é que o coronavírus passa de pessoa para pessoa", finaliza.