Após tratamento com cloroquina, Kalil defende uso responsável do medicamento

Médico do Hospital Sírio-Libanês, já curado da COVID-19, disse que prescreveu o remédio para alguns pacientes

Da CNN, em São Paulo
08 de abril de 2020 às 17:42

O cardiologista Roberto Kalil Filho, do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, disse que tomou cloroquina enquanto passava por tratamento para COVID-19. Em entrevista exclusiva à CNN nesta quarta-feira (8), ele afirmou que recomendaria o uso do medicamento a pacientes internados, independentemente do estado da gravidade.

"Eu cuidei de alguns pacientes junto com infectologistas. Nós prescrevemos essa medicação, eu usei essa medicação. Então com muito cuidado e dentro da ética médica, eu coloquei de uma maneira muito criteriosa: você pode usar cloroquina, sim, com orientação e acompanhamento médico, como foi meu caso. Deve ser feito de maneira responsável", esclareceu.

Usada no tratamento da malária e do lúpus, a cloroquina tem sido testada em pacientes com a COVID-19. No entanto, até o momento, nenhum medicamento tem eficácia comprovada contra a doença.

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Kalil deixou claro que foi tratado por uma equipe de infectologistas e pneumologistas.

"Quando eu estava internado há dez dias, meu estado não era bom. Eu tinha uma pneumonia relativamente avançada e foram me propostas várias alternativas com antibióticos, anti-inflamatórios, anticoagulantes, oxigênio e a cloroquina. E, obviamente, eu aceitei como paciente, discutindo com os meus médicos", disse.

'Horror'

Segundo o médico, estar infectado pelo novo coronavírus foi um "verdadeiro horror". 

"Tenho 60 anos e já tive algumas doenças. Nada se compara a esse vírus. 80% das pessoas talvez nem  vão saber que tiveram o vírus. 15% vão ter sintomas leves. Os 5% que necessitam de hopitalização, como foi o meu caso, são os casos mais delicados e que requerem tratamento mais intensivo", disse.