Entenda por que o teste da máscara com desodorante não tem valor científico

O material foi gravado por um bombeiro voluntário, na Argentina, e está rodando o Mundo

Gustavo Lago Da CNN, no Rio
08 de abril de 2020 às 09:13
Fila para compra de máscaras em Copacabana, no Rio
Foto: Gustavo Lago/CNN

Depois da recomendação de autoridades sanitárias para que a população faça máscaras caseiras para sair à rua como um meio de impedir a disseminação do novo coronavírus, um vídeo que está viralizando nas redes sociais mostra um bombeiro voluntário testando diversos tipos de máscaras – que deveriam ser eficientes para evitar a propagação das gotículas, no caso de um espirro. E, por fim, evitar a contaminação do Covid-19. De acordo com médicos consultados pela CNN, no entanto, o teste não tem valor científico.

Para simular um “espirro”, ele aciona um jato de desodorante aerossol. É possível ver, nitidamente, parte spray atravessar o tecido da máscara.

Neste sentido, ele conclui: Dependendo do tecido, o espirro atravessa a máscara – podendo contaminar quem estiver por perto.

O vídeo foi publicado pela equipe dos “Bomberos Voluntarios Tortuguitas” da cidade de Tortuguitas, região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina. E já conta com mais de 60 mil visualizações e milhares de compartilhamentos – inclusive pela imprensa europeia, como no Instagram do “La Stampa” – o jornal mais antigo da Itália (1867).

Checamos


Segundo a pneumologista Margareth Dalcolmo, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, a simulação não tem validade científica.  “Não é possível comparar um espirro, com um jato de desodorante aerossol. Até a forma como o jato é disparado pode interferir no resultado”.

Em meio a dificuldade de encontrar as máscaras à venda, a Doutora Margareth disse que é possível produzi-las em casa, mas com algumas ressalvas.

“Não pode ser feito de tecido poroso, como camiseta de malha de algodão ou lenço de seda”. “Precisa ser feito com um tecido que tenha uma gramatura adequada, que seria a “densidade do tecido”. 

Quanto maior for a densidade, menos poroso será o tecido – isso garantirá mais eficácia na proteção. Ah, e sempre dobrando o tecido duas vezes!

Margareth Dalcolmo informou que as máscaras caseiras feitas de tecido podem ser lavadas. De preferência, após 3 ou 4 horas de uso. O ideal é lavar com qualquer tipo de sabão (sabão de coco, detergente). A espuma rompe a película protetora do vírus e o destrói.

Em alguns vídeos compartilhados nas redes sociais, pessoas têm usado o tecido de “TNT” para a produção das máscaras caseiras. A pneumologista faz um alerta: Este tipo de material não pode ser lavado, pois perde a qualidade. “O TNT deve ser descartado, jogado fora, após o uso de 3 ou 4 horas seguidas”. E se o tecido ficar úmido, ele perde as propriedades e deixa de filtrar o ar, afirmou Margareth Dalcolmo.

Reprodução do Instagram do Diário La Stampa, sobre o chamado 'teste do desodorante'
Foto: Reprodução/Instagram