'A COVID-19 chegou definitivamente na periferia', diz secretário de Saúde de SP

Falta de respiradores para atender pacientes com coronavírus também preocupa, diz Edson Aparecido dos Santos

Da CNN, em São Paulo
11 de abril de 2020 às 22:10 | Atualizado 11 de abril de 2020 às 22:55

A pandemia do novo coronavírus pode fazer ainda mais vítimas na periferia de São Paulo, disse o secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido dos Santos, à CNN na noite deste sábado (11). A disseminação da COVID-19 entre os mais pobres e a falta de respiradores suficientes se os casos aumentarem foram assunto da entrevista.

"O processo de disseminação da doença na cidade chegou na periferia. Num primeiro momento, tivemos o chamado 'vírus importado', [em bairros como] Butantã, Vila Mariana, Morumbi. Mas agora é possível notar em todo o conjunto da periferia - M'Boi Mirim, Cidade Tiradentes, Ermelino Matarazzo, Pirituba, Vila Maria - a presença não só de pessoas confirmadas e hospitalizadas com a Covid-19, como as mortes começaram a acontecer", disse.

"O que mais demonstra o processo de agravamento nas áreas mais distantes da cidade é a morte de profissionais de saúde. Tínhamos até três dias atrás oito profissionais de saúde que morreram em função da COVID-19, e só hoje tivemos mais um médico e uma enfermeira.O processo de disseminação da doença chegou definitivamente nas áreas mais periféricas da cidade. A gente pode ter, se não avançarmos no processo de restrição de circulação, um avanço muito rápido da doença", prevê o secretário.

Santos aconselha que as pessoas permaneçam em casa. "Se a doença se disseminar na periferia da cidade, vamos ter que reduzir a circulação a mais de 70%, para que a gente não tenha um colapso da rede pública de saúde. É fundamental que a população entenda: a situação é muito grave. Vamos ter a partir da próxima semana uma pressão muito grande nos hospitais públicos de São Paulo. Se não tivermos esse processo de conscientização das pessoas, podemos notar que de 15 a 20 dias nosso sistema de saúde estará bastante comprometido", explica.

Respiradores

Também não há respiradores suficientes se os casos graves se agravarem, conta. "A situação é dramática. Há três meses a gente adquiria um respirador por US$ 16 mil, US$ 17 mil, hoje um respirador desse no mercado internacional é US$ 40 mil. Nós conseguimos, felizmente, há dois meses, fazer uma compra para os hospitais da prefeitura, mas todos os equipamentos já estão alocados".

O secretário conta que há conversas para a busca de soluções. "Temos um déficit de respiradores. O governo do Estado está tentando comprar, falei com duas pessoas do Ministério da Saúde que nos garantiu que deve nos dar um conjunto de respiradores, já que aqui se concentra o centro da pandemia. Há uma corrida desenfreada, ilógica, irracional nos preços desses equipamentos. Não há a menor dúvida, é um grande gargalo que teremos logo mais nos [casos] agravados de pessoas com COVID-19".