'Se relaxarmos o isolamento, podemos viver uma tragédia', alerta sanitarista

Médico Sérgio Zanetta diz que não existe remédio comprovadamente eficaz no combate ao novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
12 de abril de 2020 às 18:01

O médico sanitarista Sérgio Zanetta falou sobre a pandemia de coronavírus e a falta de um medicamento comprovadamente eficaz no combate à COVID-19. Ele analisou o crescimento dos números no Brasil e criticou, sem citar nomes, políticos que recomendam o uso da cloroquina no tratamento.

"O brasileiro me parece estar recebendo bem as informações e agindo corretamente. Precisamos manter o isolamento social, a quarentena. Não temos exames para testagem ampla, a grande saída é estarmos isolados em casa. O isolamento é a grande alternativa, é uma doença que ainda não temos tratamento e precisamos retardar ao máximo que as pessoas a tenham", explicou, em entrevista à CNN.

"Se nós nesse momento relaxarmos, podemos viver uma tragédia, como paises como Espanha e Estados Unidos. Os números falam por si. Temos no Brasil pouco mais de 1 mil mortos, que é alarmante. Mas a Espanha e Itália tem 500, 600, por dia. Os Estados Unidos tiveram hoje 1900 óbitos. O grande aprendizado é que quem hesitou no isolamento social paga um alto preço em termos de vida", analisa.

Sem remédio


Zanetta diz que não há medicamentos comprovadamente eficazes no combate à doença enquanto os estudos não são concluídos. "Não temos ainda nenhum remédio adequado para usar.  A cloroquina é um medicamento que existe há mais de 50 anos. Nós médicos utilizamos no tratamento de algumas patologias, mas não existem evidências robustas para indica-la como grande tratamento. Não temos essa convicção."

Mesmo assim, os médicos que acharem necessário podem receita-la a seus pacientes, conta. "Os estudos não estão retardando a utilização da cloroquina, ela é de livre prescrição médica. Não é uma solução".

Ele falou também que é necessário não envolver política na discussão. "A opinião de políticos não é bem vinda nem para médicos que acreditam [no tratamento com cloroquina]. Realmente são opiniões leigas, sem base científica, e que buscam influenciar as pessoas em uma direção ou outra. É o que nós menos precisamos. Precisamos de mais ciência e menos política. Na ciência há incertezas, temos incertezas com as quais estamos lidando. Se colocar um ingrediente político nisso, estamos perdidos", finaliza.