Todo caso deve ser tratado como grave, cobra noivo de médico morto por COVID-19

Em entrevista à CNN, sonoplasta Guilherme Fernandes relata que processo após a morte foi rápido e sem contato com o corpo de Fréderic Lima

Da CNN, em São Paulo
22 de abril de 2020 às 21:27 | Atualizado 22 de abril de 2020 às 21:38

Noivo do médico Fréderic Lima, morto pela COVID-19 aos 32 anos e sem doenças pré-existentes, o sonoplasta Guilherme Fernandes defendeu nesta quarta-feira (22), em entrevista à CNN, que haja mais rigor no tratamento dos casos da doença.

"Tem que tratar todo caso como se fosse um caso grave, e isso não está acontecendo. O caso dele era grave, eu vi o raio-x dele e, mesmo eu não sendo médico, era claro que o caso dele era grave", opinou Fernandes.

Segundo o sonoplasta, ele conversou com Fréderic na noite anterior, e o médico lhe relatou que estava bem e cozinhando o jantar. No entanto, o noivo se opôs a que ele o visitasse, alegando que estava com tosse.

Guilherme Fernandes afirmou que, pelos padrões de segurança adotados no Hospital Emílio Ribas, o processo após a morte foi rápido e sem a possibilidade de contato. “É tudo rápido, você não pode ter contato com o corpo”, disse.

Mensagens obtidas pela CNN mostraram que o médico relatou em conversas sintomas como tosse seca e febre alta e o uso de diversos medicamentos, entre eles cloroquina e annita, que estão sendo testados para o tratamento de pacientes com a doença.

Fréderic Lima era médico de duas unidades de pronto atendimento, uma na zona leste de São Paulo e outra em São Bernardo do Campo, na região metropolitana. As unidades lamentaram a morte do profissional.

Também à CNN, o secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, disse que a pasta ainda não tem informações mais detalhadas sobre o caso, frisou que a automedicação não é orientada pela secretaria, mas defendeu que usar a cloroquina trata-se de "uma decisão clínica de cada profissional".

Até o momento, há o registro de 12 mortes de profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e um agente de saúde, segundo o secretário.