Brasil pode ter 'diversos picos epidemiológicos', diz infectologista

O motivo é o fato de a contaminação ocorrer de maneiras variadas em cada região e ter perfis epidemiológicos diferentes

Da CNN, em São Paulo
30 de abril de 2020 às 08:56 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 09:01

O infectologista Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirmou à CNN, nesta quinta-feira (30), que a decisão sobre flexibilizar ou reforçar o isolamento social em meio à COVID-19 deve ficar nas mãos dos estados e prefeituras. 

Segundo ele, o país irá passar picos diferentes em cada região, já que a contaminação ocorre de maneiras variadas. Com isso, o correto é que essas medidas sejam avaliadas e decididas levando em conta dados locais sobre a doença. "O Brasil é [como se fosse] um continente. Temos vários países da Europa aqui dentro com diversas situações epidemiológicas", comparou. "Cada estado e grande cidade tem que avaliar seu perfil epidemiológico e a tomada de decisão tem que ser baseada nisso", defendeu. 

Croda ainda avaliou que é um erro "rotular o país como uma epidemia única e um pico único" "A generalização da epidemia de um país do tamanho de um continente é uma análise equivocada tanto pelo governo quanto pela imprensa", acrescentou.

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O pesquisador ainda alertou para os riscos de uma segunda onda de contaminação caso o isolamento social seja flexibilizado. "Podemos ter diversos picos epidemiológicos, porque, no momento que introduz isolamento social, reduz a primeira onda e a taxa de contágio, e então controla a doença. No momento em que se flexibiliza o isolamento, ainda tem muitas pessoas suscetíveis e há a chance de ter o segundo pico", explicou.

Em relação ao aumento de casos em Manaus, no Amazonas, e Fortaleza, no Ceará, ele considerou que as cidades devem fazer isolamento social mais restrito. "Nós estamos há semanas observando o aumento da letalidade nessas cidades. As reportagens desses locais mostram as pessoas morrendo em seus domicílios. Então a gente não precisa ter muitos dados para demonstrar que precisa de uma intervenção melhor de isolamento social", afirmou.