Professora transforma casa em oficina solidária no interior de SP

Doações de máscaras 3D ajudam hospitais da região de Sorocaba

Lara Mota, da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 23:33

A quarentena mudou a rotina de muita gente. E tem quem consiga, em meio ao caos, arrumar tempo e disposição para ajudar. Juliana Pirani é professora do curso de design de moda em uma universidade de São Paulo. As aulas de modelagem, que normalmente envolvem muita prática, passaram a ser virtuais, o que exigiu uma mudança drástica na rotina. Mas ainda assim ela arrumou tempo para um trabalho voluntário, usando uma impressora 3D. 

"Logo que a gente teve o primeiro momento de estar em casa e o comecinho do isolamento social, eu comecei a buscar formas de ajudar. O que eu poderia fazer dentro do meu universo, dentro do meu conhecimento para ajudar outras pessoas? Como a Belas Artes tem o equipamento a disposição mas o espaço físico está fechado, eu fiz a solicitação e pedi esse equipamento emprestado para trazer aqui pra minha casa", revela a professora.

A mesa de jantar virou um centro de produção. A impressora 3D tem sido usada pra fabricar bases para máscaras que servem como EPIs (equipamentos de proteção individual) de profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus. São necessárias três horas pra finalizar cada peça e Juliana faz 30 por semana. Até chegarem ao destino essas bases percorrem todo um caminho solidário. "Eu faço só a impressão, depois eu mando para um outro parceiro e ele faz a montagem e a doação direto para os hospitais", afirma a professora.

O parceiro é uma fábrica em Sorocaba, no interior de São Paulo, que recebe as bases e instala a proteção frontal das máscaras. Depois de finalizadas, elas são encaminhadas para hospitais da região, como doação. ''Estamos isolados mas estamos conectados da melhor forma possível. Tem várias pessoas produzindo bases de formas diferentes, doando material transparente, fazendo logística, para que realmente a gente consiga criar uma rede de apoio e consiga principalmente proteger os profissionais da saúde", diz Juliana. Que completa: "É um trabalho pequeno, é o que a gente consegue fazer. Se todo mundo fizer um pouquinho a gente consegue somar de uma maneira especial".