Familiares contam a história das pessoas que morreram vítimas da Covid-19

O Brasil registra quase 16 mil mortes, e por trás de cada um destes números, existe uma vida e um legado

Da CNN, em São Paulo
17 de maio de 2020 às 13:17

O Brasil terminou o último sábado (16) registrando quase 16 mil mortes decorrentes da Covid-19. Por trás dos números oficiais, há histórias de pessoas reais que estão convivendo com o luto. 

Sandra Viana, irmã de Lindomar Viana, vítima aos 50 anos do novo coronavírus, falou com a CNN sobre o legado de seu irmão: “Ele deixou uma família constituída. Ele formou um alicerce muito bem feito na vida dele, então merece todo nosso respeito, assim como o respeito de todos”, disse.

A pernambucana Nerice Mendonça, de 56 anos, que morreu por conta da doença, também foi lembrada pela reportagem. Além de filhos, netos e bichos de estimação, Nerice era vegetariana e adorava reunir a família na sala de sua casa. Igor Silva, um de seus filhos, conta que ela veio para São Paulo aos doze anos de idade, onde morou até o fim de sua vida.

“Chegou, construiu a sua vida, trabalhou como doméstica, depois construiu um pequeno negócio de acabamentos gráficos”, conta o rapaz relembrando os almoços que sua preparava para reunir seus três filhos, além de Igor, Junior e Juliana. 

Desde o início da pandemia, o Brasil registrou a morte de 74 médicos vítimas da Covid-19. Paulo Palazzo foi um dos primeiros médicos que trabalharam no atendimento de emergência, em São Paulo, que morreu por conta do novo coronavírus. Ele era socorrista do SAMU e de outros hospitais públicos. Colegas de profissão destacam a forma humanizada com a qual ele tratava todos os pacientes.

Seu amigo, Laelcio dos Santos deu seu depoimento: “Paulo Palazzo era apaixonado pela medicina. É alguém que começou sua vida, uma vez que decidiu ser médico, fazendo ficha na recepção do Hospital São Paulo. Estudou, passou no vestibular, fez a Escola Paulista de Medicina, residência na mesma escola e acabou como chefe de plantão do Hospital São Paulo e como um grande emergencista e grande hematologista. É um orgulho ter tido o Dr Palazzo como colega”.