Médico tira dúvidas sobre a Covid-19 em cardíacos

Cardiologista Maurício Wajngarten falou sobre as complicações que cardiopatas podem apresentar por infecção do novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
24 de maio de 2020 às 11:21 | Atualizado 24 de maio de 2020 às 21:12
 
Os problemas no coração são o principal fator de risco para maiores complicações causadas pela Covid-19, além de poderem ser agravados pela doença.

Em entrevista à CNN, Mauricio Wajngarten, professor de cardiologia pela Faculdade de Medicina da USP e médico clínico e cardiologista no Hospital Albert Einstein, explicou que o novo coronavírus ataca o interior das células de forma mais grave do que infecções corriqueiras e, por isso, representa um risco maior para os cardiopatas.

"Desde o tempo da Sars e Mers [infecções respiratórias], vírus primos do novo coronavírus, já se sabe que eles pioram a situação cardiovascular. A influenza, gripe comum, também traz problemas pro coração; qualquer infecção ou inflamação pode agravar a situação do cardíaco", disse o especialista.

Wajngarten ainda explicou que estudos comprovam que a Covid-19 atinge de forma mais severa homens do que mulheres, já que elas têm um sistema imunológico diferente dos homens. "Tanto que quando se estuda doenças imunológicas, como lúpus, a mulher é mais afetada que o homem", exemplificou. O porquê dessas respostas imunológicas distintas ainda é estudado pelos cientistas.

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Outro tema fundamental para os cardíacos é o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19. Enquanto estudos ainda não comprovam a real eficácia do medicamento contra a doença, algumas pesquisas indicam riscos para quem tem problemas no coração.

Wajngarten esclarece que apesar de ainda não ter comprovação científica, a cloroquina é usada em pacientes diagnosticados com o novo coronavírus pela falta de alternativa.

"Nos próximos dias devem ser vários trabalhos científicos sobre a cloroquina, inclusive para prevenir quem teve contato com alguém doente pela Covid-19. Acho que uma resposta definitiva vai chegar dentro de alguns dias. Mas se você não tem nada, você vai lançar mão daquilo que tem dados. A cloroquina é um remédio velho, usado por reumáticos e para malária, e mostrou in vitro que bloquearia a ação do vírus. Então vamos usar porque não tem nada melhor", disse o especialista.

O cardiologista completou que receita cloroquina para seus pacientes. "Não vimos grandes problemas. Não tenho comprovação [sobre o uso do remédio], mas tenho indícios", destacou.