Sociedade Brasileira de Pediatria é contra uso de cloroquina em jovens

A entidade avalia que só caberia utilizar esse medicamento em jovens no caso de estudos clínicos controlados e com a liberação de pais e responsáveis

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
29 de maio de 2020 às 12:51
Farmacêutico com cartela de hidroxicloroquina em hospital de Liège, Bélgica (22.abr.2020)
Foto: Yves Herman/Reuters


Apesar de não fazerem parte do grupo de risco, os jovens também não devem usar cloroquina e hidroxicloroquina para combater o coronavírus, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, que divulgou um alerta, nesta sexta-feira (29).

O motivo: a falta de evidências científicas. A entidade avalia que só caberia utilizar esse medicamento em jovens no caso de estudos clínicos controlados e com a liberação de pais e responsáveis.

“Essa falta de embasamento impede que o médico receite a cloroquina de forma confortável e segura, com base numa avaliação equilibrada entre riscos e benefícios. Sem dados robustos e o devido respaldo técnico, a utilização de qualquer remédio torna-se uma espécie de experimentação, que pode trazer mais problemas do que melhorias à saúde”, destaca o presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP, dr. Marco Aurélio Sáfadi.

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Para compreender a doença no país, a Sociedade Brasileira de Pediatria observa como o vírus se manifestou entre crianças e adolescentes na China, primeiro epicentro do coronavírus. "Em publicação envolvendo 44.672 casos confirmados de COVID-19 na China, as crianças de 0 a 19 anos representaram um total de 965 casos (2,1%), com apenas um óbito (0,1%) de um adolescente de 13 anos de idade, não sendo mencionadas as características desse caso", afirma o informativo com o alerta sobre o Brasil.

"Em outra série de 2.143 pacientes pediátricos ocorridos também na China, 731 apresentaram confirmação laboratorial da infecção pelo SARS-CoV-2, dos quais 97% eram assintomáticos, tinham sintomas leves ou moderados".

Entre as crianças, os sinais e sintomas da doença foram parecidos com os de uma gripe comum, como febre, tosse, congestão nasal, coriza, dor de garganta, mas também podem ocorrer aumento da frequência respiratória, sibilos (distúrbios pulmonares) e pneumonia. Vômitos e diarréia também aparecem na lista, como uma reação mais comum em crianças do que em adultos.

"Na série mencionada anteriormente, das 731 crianças com infecção comprovada na China, 94 (12,9%) eram assintomáticas e 315 (43,1%) apresentavam sintomas leves. Entretanto, em 300 crianças (41%) as manifestações foram moderadas e em 18 (2,5%) graves", afirma o informativo.