Remédio para hipertensão não traz risco maior para quem tem Covid-19, diz estudo

Pesquisa da Johns Hopkins não encontrou aumento significativo em risco clínico e hospitalizações; pacientes não devem descontinuar tratamento

Reuters
12 de junho de 2020 às 21:55 | Atualizado 12 de junho de 2020 às 21:58
Cartelas de comprimidos
Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil (7.dez.2004)

Um novo estudo oferece evidências confortantes a centenas de milhões de pessoas que sofrem com a pressão arterial alta de que medicamentos para a hipertensão não os colocam em risco maior com a Covid-19, como temiam alguns especialistas.

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Duas classes de medicamentos para a pressão sanguínea, chamados inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECAs) e bloqueadores de receptores da angiotensina (BRA), foram questionados após o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA reportar em abril que 72% dos pacientes hospitalizados com a Covid-19 que tinham mais de 65 anos idade tinham hipertensão. 

Estima-se que os inibidores de IECA e BRAs exercem suas atividades ao longo dos mesmos caminhos biológicos utilizados pelo novo coronavírus, causador da Covid-19, para atacar os pulmões. 

Pesquisadores da Universidade de Oxford recomendaram que alguns pacientes parassem de tomar os medicamentos até que os riscos fossem mais conhecidos, enquanto outros argumentaram que os pacientes deveriam manter o uso dos remédios.

Um especialista do Centro Johns Hopkins para Segurança e Eficiência de Medicamentos em Baltimore descreveu o debate como "uma das mais importantes questões clínicas". 

O novo estudo publicado na sexta-feira não encontrou aumento significativo no risco clínico de diagnósticos ou hospitalizações por Covid-19 com o uso de IECAs ou BRAs comparados com outros tratamentos de primeira-linha para a hipertensão. 

Os autores recomendaram que os pacientes não deveriam descontinuar o tratamento para evitar o vírus, que já infectou mais de 7,5 milhões de pessoas em todo o mundo e já matou mais de 420 mil.