Dexametasona deve ser usada apenas em casos graves de Covid-19, diz OMS


Fabrizio Neitzke e Stephanie Bevilacqua Da CNN, em São Paulo
17 de junho de 2020 às 13:27 | Atualizado 17 de junho de 2020 às 14:46

O diretor-executivo de emergência em saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, disse, durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (17), que a dexametasona, medicamento cujo testes indicaram eficácia no tratamento contra a Covid-19, deve ser manipulada apenas em pacientes com casos graves.
 
O epidemiologista também ressaltou que não há comprovações científicas de que que haja algum benefício do uso da droga registrado em casos leves. “É importante que as pessoas utilizem este remédio apenas sob supervisão médica”, falou.
 
Michael explicou que o medicamento é um anti-inflamatório muito forte. "Ele pode resgatar pacientes em condições sérias, onde seus pulmões estão muito inflamados. Isso permite que pacientes continuem recebendo oxigênio dos pulmões no sangue por um período crítico, reduzindo rapidamente a inflamação em um momento grave da doença”. 

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“Ele não é um tratamento contra o vírus. Não é preventivo. Na verdade, esteroides podem ser associados com a replicação viral. Em outras palavras, ele pode facilitar a divisão e replicação do vírus em humanos”, disse o diretor. Ele também afirmou que o encontro de uma combinação de medicamentos junto de oxigênio, respiradores e antivirais permitirá salvar o máximo de pacientes possíveis.
 
Janet Diaz, chefe de terapia clínica da OMS, também ressaltou o benefício do medicamento em pacientes que estavam utilizando oxigênio. “Eles estavam em com respiradores. Não foi registrado nenhum benefício para pacientes com sintomas leves. Essa é a parte mais importante”, disse Janet.

Brasil

Durante a coletiva da OMS desta quarta-feira (17), Michael Ryan afirmou que a epidemia do novo coronavírus ainda é “muito severa” no Brasil. Ele ressaltou que o aumento do número de casos pode não ser tão exponencial quanto antes, mas o momento é de cuidado total.

Ryan pediu foco nas medidas de distanciamento e higiene. Ele também ressaltou o bom histórico do Brasil no controle de doenças infecciosas e afirmou confiar que os governos e a população podem fazer a doença ser controlada.