Associação recebe quase 4 mil denúncias de falta de EPIs para combate a Covid-19


José Brito Da CNN, em São Paulo
19 de junho de 2020 às 18:00 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 18:21

A alta demanda de atendimentos médicos no combate a Covid-19, desde o mês de março, causou uma escassez de equipamentos de proteção individual (EPI) para funcionários de saúde por todo o país. Há exatos 100 dias, desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou uma pandemia mundial do novo coronavírus, a realidade de falta de materiais ainda não está normalizada. É o que mostra uma plataforma específica para captar reclamações sobre falta de EPIs para profissionais que estão atuando na linha de frente contra a doença. Criada pela Associação Médica Brasileira (AMB), há três meses, até a data desta sexta-feira (19), o site já recebeu 3.782 denúncias anônimas. 

De acordo com a AMB, o estado de São Paulo é o líder em escassez de EPI com 1.357 registros. Rio de Janeiro e Minas Gerais seguem com 417 e 386 denúncias respectivamente. As cidades com mais relatos são: São Paulo (442), Rio de Janeiro (194) e Porto Alegre (136). Entre os produtos mais recorrentes nas reclamações estão: Máscara tipo N95 ou PFF2 (85%), Óculos ou Face Shield (66%) e Capote impermeável (65%). Uma denúncia costuma conter mais de um material em falta nos locais de atendimento. 

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Em seu site, a Associação informa que “comunica os estabelecimentos apontados, solicita esclarecimentos e a atualização das informações e notifica o Ministério da Saúde, o Conselho Regional de Medicina (CRM),as Secretarias de Saúde Municipal e Estadual, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério Público. A captação de denúncias continua em curso e os estabelecimentos que informarem a solução dos problemas serão retirados da lista abaixo, que apresenta detalhes sobre os EPIs que faltam em cada local”.

Segundo uma enfermeira que pediu para ter a identidade preservada e que atende, na Unidade de Pronto Atendimento Enseada (UPA), no Guarujá, litoral de São Paulo, além da falta de equipamentos, o material oferecido é contestado pelos colegas e por ela. “A qualidade é duvidosa. Inclusive, alguns têm escrito no rótulo que não devem ser utilizados como EPI.”, disse. 

Máscara

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Foto: Reprodução

A profissional de saúde contabiliza, pelo menos, seis colegas infectados e revela ainda que há dificuldade para retirar materiais mais seguros por parte do farmacêutico que fornece o material. “É um inferno. Você tem que explicar porque que você tem que pegar a máscara N-95 e não a máscara simples. Ainda temos que deixar registrado o seu CPF e cartão SUS, porque a ordem é que essa máscara deve ser usada por cinco dias. E claro que isso é perigoso, porque  a máscara fica contaminada.”, diz.