Correspondente Médico: Quais os riscos do esgotamento mental à saúde?

Cansaço excessivo e dores são sinais de alerta

Da CNN
19 de junho de 2020 às 09:03 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 09:08

Na edição desta sexta-feira (19) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou os danos causados pelo esgotamento mental devido a a instabilidade diária no cenário político e o grande volume de notícias diárias sobre a pandemia de Covid-19. O médico também abordou a importância do esporte para a manutenção de uma vida saudável e comentou o retorno às atividades dos clubes brasileiros. 

Gomes explicou como funciona o impacto das notícias no cérebro humano e qual a relação com a ansiedade nos dias atuais. Para ele, "precisamos ter maturidade e preparo emocional para lidar com isso", além de ser necessário ter um filtro para as informações. 

 

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"É no córtex pré-frontal que a gente manipula e tem contato com essas informações para saber se tem relevância ou não. É nesta parte que a preocupação pode existir e quando ela é em exagero, podemos entrar em processo de estafa mental. No ponto de vista de saúde mental, pensar demais pode causar danos e a cada notícia que temos as 'amigdalas' do nosso cérebro disparam impulsos elétricos e vai intensionar essa 'preocupação'. Portanto, quanto mais a pessoa está mais ligada nas notícias, maior o risco de ela ter uma estafa", explicou ele. 

Além do cansaço físico, um dos efeitos colaterais da estafa está a dor de cabeça e alteração da memória. "O indivíduo escuta a informação e aquilo não parece fixar. Isso pode ser um dos indícios de que a pessoa está caminhando para um processo de estava", acrescentou. 

Futebol

Na volta do futebol carioca, após 94 dias de paralisação, o Flamengo venceu o Bangu por 3 a 0 na quinta-feira (18). Este foi o primeiro campeonato estadual a voltar no Brasil. Fernando Gomes analisou o retorno e os impactos da medida após período longo de quarentena.

"O futebol é a grande paixão do nosso povo e nossa vida tem que ter diversos aspectos sendo contemplados. O lazer é necessário para a vida do ser humano e o futebol estimula nosso cérebro de maneira diferente. Quando você está assistindo a uma partida, você estimula a sua memória de curto prazo para que entenda o jogo. E quando ela acompanha  um campeonato, ela coloca a memória de longo prazo. Então atrás de algo divertido, existe também um processo cognitivo", explicou. 

De acordo com Gomes, o esporte é uma atividade física fundamental e que auxilia no combate ao esgotamento mental. "Atividades que podem gerenciar o seu pensamento e o próprio funcionamento do corpo são  essenciais - como por exemplo meditar. Atividades lúdicas também ajudam a bloquear este processo. (....) A resenha que acontece depois das partidas é uma válvula de escape e auxilia na manutenção do contato entre as pessoas", disse. 

Videogame



O jogo de videogame EndeavorRx, da Akili Interactive, foi autorizado pela agência responsável por regulamentar medicamentos nos Estados Unidos, a ser prescrito para o tratamento de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

"Cerca de 3 a 5% das crianças de 6 a 12 anos têm o diagnóstico de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Um jogo diferente como este, que faz a criança prestar atenção de forma diferente para muita coisas ao mesmo tempo, impacta no cérebro e consegue educar para ele funcionar melhor. Depois deste jogo específico, o cérebro passa a agir de maneira diferente em outros âmbitos", concluiu.