Entidade médica recomenda dexametasona para tratar pacientes graves de Covid-19


Henrique Andrade e Gabriel Passeri, da CNN, em São Paulo
19 de junho de 2020 às 18:51 | Atualizado 19 de junho de 2020 às 22:12
Dexametasona é usada desde os anos 1960 para reduzir inflamação

Dexametasona é usada desde os anos 1960 para reduzir a inflamação causada por doenças como artrite

Foto: Reprodução - 16.jun.2020 / Reuters

Após os primeiros resultados positivos de pesquisa de Oxford que avalia a eficiência da dexametasona no tratamento contra a Covid-19, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) emitiu uma nota recomendando o uso do medicamento para pacientes graves com a doença provocada pelo novo coronavírus. Clóvis Arns da Cunha, presidente da entidade e quem assina o documento, considera a publicação como “uma boa nova”.

No documento, a sociedade destaca os resultados do estudo Recovery, que identificou uma redução da mortalidade, em 28 dias, de um terço, em pacientes com Covid-19 submetidos a ventilação mecânica. No mesmo período, a administração do corticoide reduziu em 20% a mortalidade em pacientes necessitando oxigênio, mas sem ventilação. Em quadros mais leves da doença, não foi identificada eficácia do uso da substância.

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A conclusão prática, segundo a SBI, é de que todo paciente com Covid-19 em ventilação mecânica ou que necessite de oxigênio fora da UTI deve receber a dexametasona por via oral ou endovenosa. A dose recomendada é de 6mg, uma vez ao dia ao longo de 10 dias. O órgão ainda destaca que a medicação é barata e de acesso universal.

A sociedade comemora, classificando a data da publicação do estudo como um dia “histórico no tratamento da COVID-19”.

O teste Recovery, da Universidade de Oxford, comparou as reações de cerca de 2.100 pacientes, que foram designados de forma aleatória para receber o corticoide, com cerca de 4.300 pacientes que não receberam o medicamento.