Pandemia de Covid-19 não está 'nem perto de acabar', diz diretor da OMS


Da CNN, em São Paulo
29 de junho de 2020 às 13:32 | Atualizado 29 de junho de 2020 às 15:59
Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde

Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde

Foto: Denis Balibouse - 28.fev.2020/ Reuters

A pandemia de Covid-19 não está nem perto de terminar, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (29). 

"Todos nós queremos que isso acabe. Todos queremos continuar com nossas vidas. Mas a dura realidade é que isso nem está perto de acabar. Embora muitos países tenham feito algum progresso globalmente, a pandemia está na verdade acelerando", disse Tedros.

A declaração do diretor-geral da OMS acontece um dia depois do mundo alcançar as 500 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. O número de casos já passou dos 10 milhões. 

A OMS planeja convocar uma reunião nesta semana para avaliar o progresso das pesquisas voltadas para o combate à doença e, na semana que vem, enviará um time de seus funcionários para a China, onde eles devem investigar as origens do vírus. 

Os Estados Unidos, país mais crítico à OMS e que já declarou sua intenção de abandonar o órgão, demandou uma investigação sobre esse assunto. O presidente Donald Trump e o secretário de Estado, Mike Pompeo, já afirmaram que a Covid-19 teria sido produzida em laboratório, apesar das negativas do governo chinês e de não possuírem evidências da acusação. 

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Dexametasona

Entre seus comentários sobre o combate ao novo coronavírus, Tedros Adhanom afirmou que o corticoide dexametasona "salva vidas" de pacientes graves da covid-19.

Às vésperas do aniversário de seis meses do primeiro caso de coronavírus no mundo, a OMS estabeleceu cinco novas diretrizes para os países enfrentarem a pandemia. Em uma delas, intitulada "salvar vidas", Tedros citou o medicamento.

"Identificação precoce dos infectados e cuidados clínicos precoces salvam vidas. Dar oxigênio e dexametasona a pessoas com casos graves da covid-19 salva vidas. Dar atenção aos grupos de risco, inclusive aos idosos e pessoas de cuidados prolongados, também salva vidas", afirmou o diretor-geral. 

O líder da organização comentou ainda sobre o ressurgimento de casos em países que reabriram a economia e ressaltou que muitas pessoas ainda estão suscetíveis à Covid-19. 

"Muitos países implementaram medidas nunca antes vistas para suprimir a transmissão e salvar vidas. Essas medidas tiveram sucesso, mas não interromperam completamente a doença. O vírus ainda tem muito espaço para se disseminar", alertou.

Além do tópico sobre preservação de vidas, a OMS estipulou outras quatro orientações: empoderamento das comunidades, supressão da transmissão, aceleração das pesquisas e liderança política.

"Independentemente do estágio em que o país se encontra, essas cinco prioridades, se executadas consistentemente e coerentemente, podem fazer toda a diferença. A questão crítica que todos enfrentarão nos próximos meses é como conviver com esse vírus. Este é o novo normal", disse Tedros.

(com informações da Reuters e Estadão Conteúdo)