Fiocruz e Vale se unem para estudar material genético do novo coronavírus

Análise prevê coleta de ao menos mil amostras para estudar mutação brasileira do vírus

Reuters
13 de julho de 2020 às 21:47 | Atualizado 14 de julho de 2020 às 17:59
Representação gráfica de um betacoronavírus, tipo de vírus ligado à Covid-19
Foto: NEXU Science Communication/Reuters (18.fev.2020)

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a mineradora Vale firmaram parceria para realizar o mais amplo estudo de sequenciamento de genoma do novo coronavírus no país, com a coleta de ao menos mil amostras para tentar ampliar o conhecimento sobre a mutação que o vírus apresentou no Brasil, informou a empresa nesta segunda-feira (13).

De acordo com a Vale, serão investidos R$ 2,4 milhões pela mineradora na pesquisa, que será realizada ao longo de dois anos a partir de junho. As amostras serão fornecidas por centros de coletas espalhados por todos os estados do país, e a expectativa dos pesquisadores é compreender o comportamento no Brasil do vírus causador da doença respiratória Covid-19.

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"Precisamos compreender o 'DNA brasileiro' do Sars-CoV-2, descobrir como ele se espalhou pelo país, as rotas de transmissão e como as mutações afetam as moléculas-alvo de testes diagnósticos, drogas e vacinas para que essas ferramentas de controle da doença sejam mais eficientes", disse o diretor-científico do Instituto Tecnológico Vale, Guilherme Oliveira, em comunicado divulgado pela empresa.

No Brasil, foram sequenciadas até maio apenas 290 amostras do material genético, o RNA, Sars-CoV-2, das quais apenas 157 são consideradas de alta qualidade — no mundo há 35 mil genomas já sequenciados com alta qualidade, que representam as características do vírus que circulou nas regiões onde foram coletados, segundo a Vale.

O Brasil é o segundo país do mundo mais afetado pela Covid-19, com quase 1,9 milhão de casos confirmados e mais de 72 mil mortes em decorrência da doença.

CORREÇÃO: Diferentemente do informado em versão anterior deste texto, o genoma do coronavírus é de RNA, e não de DNA, conforme esclarecimento feito pela Fiocruz. O texto já foi corrigido.