Correspondente Médico: Como o cérebro reage para tomar decisões rápidas?

Gomes comentou o caso do meninos de 6 anos que levou 90 pontos no rosto para salvar irmã

Da CNN
17 de julho de 2020 às 08:43 | Atualizado 17 de julho de 2020 às 08:43

Uma criança de seis anos de Wyoming, nos Estados Unidos, levou 90 pontos no rosto após salvar a irmã mais nova do ataque de um cachorro. O cérebro tem instinto de nos proteger das ameaças do meio ambiente. Na edição desta sexta-feira (17) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre como o cérebro reage quando tem tomar atitudes rápidas.


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De acordo com o neurocirurgião, o cérebro humano é formado por estímulos ligados ao nosso instinto de sobrevivência e à preservação da espécie. Quando nos sentimos privados diante de qualquer coisa que possa ameaçar a nossa segurança e a nossa sobrevivência, passamos a ter o maior interesse em saber como podemos evitar que isso aconteça.

"É um ato muito rápido que acontece e que não chega no nível da consciência. Temos um anel límbico que leva a auto preservação do indivíduo e, o outro, à preservação da espécie, fazendo com que você execute ações para preservar seres semelhantes. No caso do garoto, sem pensar, ele entrou na frente da irmã para salvá-la.", explicou. 

Em situações de perigo, o cérebro humano faz com que o corpo trabalhe de maneira diferente. Gomes explica que, diante destes acontecimentos, os seres humanos têm uma reação natural que envolve, principalmente, a produção de quatro substâncias: adrenalina, endorfina, dopamina e cortisol.

Essas descargas químicas preparam a pessoa para reagir à ameaça, seja pela luta ou pela fuga. Elas também atenuam o desconforto físico e trazem satisfação depois que o desafio termina.

Após o caso das crianças ganhar repercussão nas redes sociais, o ator Chris Evans, que interpreta o Capitão América, enviou uma mensagem ao garoto. Na publicação, Evans parabenizou o menino pela coragem, o chamou de herói e disse que vai enviar de presente um escudo do personagem que interpreta.

Atitudes como a do ator, na avaliação do neurologista Fernando Gomes, são de extrema importância para a recuperação de "um episódio traumático".

"O intuito [da mensagem] não é estimular todo mundo a fazer a mesma coisa. Mas existe, além de um reconhecimento, essa preocupação com a situação", finalizou.