Crianças detectadas na base do Ministério da Saúde não têm Covid-19

Primeiro caso confirmado continua sendo o do homem de 61 anos de São Paulo, do dia 26 de fevereiro

Cecília do Lago e José Brito, da CNN, em São Paulo
17 de julho de 2020 às 18:58

As duas crianças que a CNN noticiou como casos confirmados de Covid-19 não foram infectadas com o novo coronavírus. Acionado pela reportagem na última quarta-feira (15), o Ministério da Saúde apurou os dois casos junto às secretarias estaduais; uma bebê de nove meses de São Paulo capital e um menino de um ano e dois meses de Itabuna, na Bahia. Entretanto, houve erros no preenchimento das fichas de notificação. Técnicos do ministério chegaram à conclusão de que nenhuma das duas crianças podem ser os primeiros casos de coronavírus no Brasil. Portanto, o primeiro caso confirmado continua sendo o do homem de 61 anos de São Paulo, do dia 26 de fevereiro.

O ministério explicou que o caso do dia 20 de fevereiro, de uma bebê de São Paulo, foi uma hospitalização devido a um rinovírus, de circulação comum. Já o do menino de Itabuna, do dia 24 de fevereiro, trata-se de um erro de digitação no momento da notificação. 

Os dois casos detectados pela CNN ainda constam na base de dados pública de Síndrome Respiratória Aguda Grave disponibilizada pelo Ministério da Saúde, tanto na atualização do dia 7 de julho quanto na mais recente, do dia 14 de julho. Os dados públicos estão sujeitos a alterações e atualizações, além disso, o ministério faz testagens em retrospectiva para rastrear as entradas da doença no Brasil. A primeira reportagem sobre as crianças foi publicada no dia 15 de julho.

Leia abaixo a nota do Ministério da Saúde:

Primeiro caso de Covid-19 no Brasil permanece sendo o de 26 de fevereiro

O Ministério da Saúde esclarece que, diferente do que foi noticiado pela imprensa nesta semana, o caso de um bebê de nove meses notificado como Covid-19 em 20 de fevereiro, em São Paulo (SP), ou seja, período anterior ao primeiro caso oficial da doença no país, não se confirmou. Trata-se de um caso de rinovírus, um tipo de resfriado. Já o caso da criança, em Itabuna (BA), com registro de Covid-19 no dia 24 de fevereiro, também antes do dado oficial da pasta, era um caso de erro de digitação no sistema. Desta forma, o primeiro caso confirmado de Covid-19 no Brasil continua sendo o registrado no dia 26 de fevereiro e amplamente divulgado pelo Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde, juntamente com as equipes técnicas de vigilância de São Paulo e da Bahia, realizou investigação criteriosa nos casos, com análise da ficha de atendimento, além do registro no sistema. É importante ressaltar que os dados de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) divulgados nas plataformas oficiais do Ministério da Saúde estão sujeitos a alterações. As Vigilâncias Epidemiológicas Estaduais e Municipais estão desempenhando intenso trabalho frente à pandemia da Covid-19 para oportuna detecção, investigação, prevenção e controle da doença. 

Devido à sobrecarga nos serviços de saúde, podem ser observados eventuais erros de digitação, preenchimento de datas erradas nos sistemas de informação e, por isso, em todos os informes epidemiológicos e boletins, o Ministério da Saúde avisa que os dados estão sujeitos a alterações.

O Ministério da Saúde reforça, assim como anunciado em março deste ano, que tem feito a testagem para Covid-19 retrospectiva de todos as amostras respiratórias coletadas e guardadas de Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), ampliando a investigação epidemiológica para Covid-19 e atendendo recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esta é uma mostra da capacidade de investigação do sistema de vigilância brasileiro.