Promessa de vacina antes de conclusão dos testes é prematura, diz infectologista

Fase 3 da vacina da Sinovac em conjunto com Instituto Butantan começa nesta segunda-feira

da CNN em São Paulo
19 de julho de 2020 às 16:25 | Atualizado 20 de julho de 2020 às 05:42
 

A terceira fase de testes clínicos da vacina desenvolvida pela Sinovac em conjunto com o Instituto Butantan começa nesta segunda-feira (20). Em entrevista à CNN neste domingo (19), o infectologista-chefe da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Alexandre Naime Barbosa, disse considerar o momento promissor, mas que prometer qualquer prazo ainda é prematuro. 

"Temos que aguardar todas as etapas para ver se as pessoas vão ter o correlato de imunidade. Qualquer promessa antes dos resultados é prematura e até demagógica", avaliou. "Quanto mais estratégias derem certo, melhor, mas promessas de quando vamos ter é muito perigoso. Se a gente não aguardar as etapas cruciais para determinar eficácia, acabamos entregando um produto que não vai atingir o que todos esperam", disse. 

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Ele afirma que tanto a vacina da Sinovac quanto a da Universidade de Oxford, desenvolvida em conjunto com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), são promissoras. "Quanto mais estratégias sérias tivermos, mais fácil teremos uma ou até duas vacinas efetivas", disse.

Ele citou também os resultados da iniciativa da Moderna, publicados na última terça-feira (14) no New England Journal of Medicine. Na fase 1 da candidata americana, 100% dos participantes tiveram resposta imune. "Isso leva a muita esperança, que agora, na fase 3, tenhamos resultados definitivos de uma vacina com a eficácia adequada. Isso é tudo que a gente espera para os próximos meses", disse. 

Para Barbosa, aparentemente não há risco que uma mutação da Covid-19 invalide os avanços das vacinas. "Não existem mutações no vírus que gerem preocupações, em relação aos anticorpos da vacina, são alvos estáveis", disse. "Lógico que isso pode ser modificado no futuro, se o vírus começar a mutar com mais força, o que ainda não está acontecendo." 

O que ele considera preocupante é que as vacinas comecem a competir entre si, caso a eficácia de ambas seja comprovada. "Em uma emergência de saúde pública global, temos que ter união dos esforços", declarou. "Vai precisar que as duas coexistam para imunizar o máximo de pessoas suscetíveis no menor espaço de tempo."

(Edição: Paulo Toledo Piza)