Visão Responde: médico tira dúvidas sobre contágio da Covid-19 em aglomerações

A esta altura, muitas pessoas já estão exaustas do isolamento, mas infectologista lembra que nosso cansaço não pode significar desrespeito ao próximo

Da CNN
21 de julho de 2020 às 15:28 | Atualizado 21 de julho de 2020 às 16:19

Um grupo de cerca de 20 jovens foi flagrado promovendo uma festa com bebidas alcoólicas e aglomeração dentro de lanchas na Praia dos Milionários, em São Vicente, na Baixada Santista (SP). 

A CNN recebeu imagens feitas por moradores da região. Segundo uma moradora, encontros como este estão ficando cada vez mais frequentes. Durante a festa, os jovens não respeitaram o distanciamento de dois metros entre as pessoas, e o evento durou quase cinco horas. Nenhuma autoridade policial compareceu para dispersar a aglomeração. 

Em nota, a Capitania dos Portos de São Paulo informou que possui equipes de inspeção naval que realizam durante o dia a fiscalização do tráfego aquaviário para garantir a segurança, além de disponibilizar telefone para denúncias. 

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Em entrevista à CNN nesta terça-feira (21), o infectologista Marcelo Otsuka reconheceu que a esta altura a maioria das pessoas já está exausta do isolamento social, mas lembrou que o nosso cansaço não pode significar desrespeito à sociedade e ao próximo.

“Essas pessoas, mesmo sendo saudáveis e tendo pouco risco de desenvolver uma doença grave, com certeza têm contato com outras, além de indivíduos que estão no grupo de risco, como idosos e aqueles que possuem problemas no coração, obesidade, diabetes e doenças que eventualmente podem propiciar uma infecção grave. Os cuidados para não transmitir [a Covid-19] são manter o distanciamento social, utilizar máscara e higienizar bem as mãos”.

Jovens participam de festa em lancha em São Vicente (SP)
Foto: CNN (21.jul.2020)

Segundo o infectologista, o risco de transmissão se dá principalmente pelas vias aéreas, ou seja, pela respiração. No entanto, mesmo se esses jovens que participaram da festa estivessem utilizando máscara, em ocasiões como esta, tiramos a máscara para comer e beber, por exemplo, e nossa mão, estando contaminada, pode transmitir o vírus. 

“É lógico que em ambientes abertos o risco de transmissão é menor. Mas isso não significa que não exista. Além disso, usar a máscara ajuda, mas o contato físico e a não higienização das mãos facilita a transmissão da doença”, explicou.

Otsuka lembrou ainda que não há conhecimento total do tempo de transmissão e nem se quem já foi diagnosticado com Covid-19 pode pegar de novo.

“Em infecções assintomáticas, leves e até moderadas, a princípio, consideramos 15 dias de transmissão do vírus, mesmo que o [exame] PCR venha positivo depois disso. Quem tem quadro grave da doença, no caso pacientes que precisam de ventilação e UTI, imaginamos que a transmissão do vírus pode se dar em até 30 dias”, esclareceu.

Por isso, mesmo com a flexibilização do comércio e das atividades, é fundamental permanecer cumprindo o isolamento social, inclusive depois do contágio pelo novo coronavírus. É importante também continuar usando luvas, lavando bem as mãos e usando máscara ao sair de casa. 

(Edição: Bernardo Barbosa)