Não vamos nos render até achar terapias eficazes para Covid-19, diz pesquisador

Pesquisa indica que uso da hidroxicloroquina não melhora as condições de pacientes com o novo coronavírus que apresentavam quadros leves ou moderados

Da CNN
23 de julho de 2020 às 21:47 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 21:51

Uma pesquisa realizada por 55 hospitais brasileiros e publicada nesta quinta-feira (23) no The New England Journal of Medicine revelou que o uso da hidroxicloroquina, sozinha ou associada com azitromicina, não melhorou as condições de pacientes hospitalizados com o novo coronavírus que apresentavam quadros leves ou moderados.

O diretor da área de pesquisas do Hospital Israelita Albert Einstein, Otávio Berwanger, que participou do estudo, afirmou à CNN que os pesquisadores não irão se render até acharem terapias eficazes para o combate da doença. Segundo ele, outros métodos estão sendo testados, além da hidroxicloroquina, como corticoides, anticoagulantes, imunomoduladoras e antivirais.

A pesquisa foi feita, segundo Berwanger, em pacientes hospitalizados, com quadros considerados moderados e alguns leves. 

Além disso, ele disse que a pesquisa não contemplou o medicamento como uso preventivo, mas que há um grande estudo em andamento, chamado Coalizão 5, que está testando hidroxicloroquina em pacientes ambulatoriais -- ou seja, que não foram contemplados no levantamento publicado hoje. 

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Sobre isso, Berwanger salientou que o médico deve informar o paciente sobre todas as evidências que existem até o momento, e a decisão de administrar ou não a droga deve ser compartilhada com os pacientes ou os responsáveis legais. 

“No momento da incerteza, a forma mais apropriada que nós, pesquisadores, vemos de manejar um paciente é no contexto de uma pesquisa clínica”, falou.

(Edição: Bernardo Barbosa)