Correspondente Médico: Como o cérebro reage ao susto?

Fernando Gomes repercutiu caso de monomotor que caiu em Santa Catarina

Da CNN
27 de julho de 2020 às 09:26 | Atualizado 27 de julho de 2020 às 09:37


Um monomotor caiu em uma rua residencial na cidade de Guabiruba, interior de Santa Catarina, na manhã de sábado (25). Segundo o Corpo de Bombeiros, duas pessoas estavam na aeronave e foram resgatadas com ferimentos leves. Os sobreviventes da queda receberam alta médica no final de semana.

Na edição desta segunda-feira (27) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes falou sobre como o cérebro reage ao susto, como o episódio que aconteceu em Santa Catarina. "É quase um milagre ter tido apenas ferimentos leves após a queda. A magnitude do impacto é muito grande", disse.

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Gomes explica ainda que, nestes casos, pode haver uma possível formação de um "anel patológico", no qual o indivíduo pode ficar mais sensível aos sustos. O cérebro fica sensibilizado a esta experiência e qualquer coisa que lembre esse susto pode causar um ciclo vicioso.

"Quando levamos um susto, o sistema nervoso libera, de forma maciça, adrenalina. Depois que passa o acidente, a força da liberação do neurotransmissor e o impacto desta memória no cérebro pode gerar trauma mental, causando um ciclo vicioso. Qualquer coisa que possa fazer a pessoa lembrar daquele momento, pode acionar este estímulo traumatizante", explica.

De acordo com o médico, uma pessoa pode ainda morrer de susto, por causa da alta descarga de adrenalina que eleva a aceleração do coração, podendo causar arritmia cardíaca.

"Se a pessoa já tem um histórico cardíaco, ela acaba tendo maior risco de isso acontecer. No entanto, qualquer pessoa pode ir a óbito por conta de algo que ela não espera", concluiu Gomes.

(Edição: Sinara Peixoto)