Estudante do Paraná desenvolve respirador emergencial de baixo custo


Alana Gandra, da Agência Brasil
27 de julho de 2020 às 07:17 | Atualizado 27 de julho de 2020 às 14:58

Um estudante de engenharia civil na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), criou um respirador emergencial de baixo custo, utilizando componentes nacionais. Os respiradores são um dos maiores gargalos nas demandas que surgem desde o início da pandemia do novo coronavírus.

O custo médio total do equipamento criado por Robson Muniz – R$ 2,5 mil – é bem inferior ao dos ventiladores mecânicos de preços mais acessíveis no mercado atual, como os adquiridos pelo Ministério da Saúde em abril deste ano, a US$ 13 mil cada (cerca de R$ 69,6 mil).

Para desenvolver o aparelho, o estudante utilizou uma bolsa de ressuscitação manual, conhecida como “bolsa Ambu”, um motor de vidro elétrico de carro, de fácil disponibilidade, e peças mecânicas projetadas para permitir que a máquina seja potente, mas leve. 

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“Na parte eletrônica que controla o motor, o respirador usa uma placa (de prototipagem eletrônica de código aberto) chamada Arduíno, que tem hardware (parte física de um computador) incorporado”, explicou Muniz.

Esse hardware serve para controlar a velocidade com que a bolsa vai ser pressionada, assim como o volume de ar que o paciente vai receber por minuto.

Muniz esclareceu que o projeto foi desenvolvido obedecendo a todos os requisitos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e contou com o apoio de todos os professores do curso de engenharia da PUCPR.

O estudante vem trabalhando no respirador manual desde maio e aguarda a certificação pela Anvisa – que deve chegar nesta semana – para que possa buscar investidores interessados em produzir o equipamento em escala.

A ideia, segundo Muniz, é “fazer uma coisa bem acessível que possa servir em postos de saúde, hospitais, no atendimento a pessoas infectadas pela Covid-19, desde a unidade de pronto atendimento até a unidade de terapia intensiva”.

Testes foram realizados nos dois hospitais da PUCPR, o Universitário Cajuru (HUC) e o Marcelino Champagnat.

Montagem rápida

Como a demanda mundial para respiradores durante a pandemia do novo coronavírus é muito maior do que a oferta, onde a doença está fora de controle, a intenção do estudante foi desenvolver um respirador artificial que pudesse ser produzido rapidamente. 

Cada motor desenvolvido por ele é montado em menos de uma hora, sem a necessidade de uma segunda pessoa.

“Dá para montar centenas em um dia só”, afirmou Muniz. O projeto pode ser reproduzido em nível nacional, para alcançar o maior número possível de pessoas.

Muniz observou, no entanto, que esse é um equipamento emergencial, liberado pela Anvisa para uso durante a pandemia.

“Depois da pandemia, ele tem que ser recolhido. Ele é justamente para aliviar o sistema de saúde neste momento”, esclareceu o estudante.

O projeto tem que ser muito robusto pois fica ligado direto, no mínimo durante 15 dias. “Ele não pode dar defeito porque o paciente fica sedado e respira por meio dele.”

A máquina foi validada no Centro de Simulação da PUCPR, sob a supervisão da direção-geral do Hospital Universitário Cajuru (HUC), localizado em Curitiba.

O diretor geral do HUC, Juliano Gasparetto, afirmou que, pelos testes executados, “o aparelho já teria condições de ser utilizado para atender aos pacientes infectados pelo novo coronavírus e até em cirurgias”.