Presidente da Fiocruz sobre parceria com Oxford sobre vacina: 'Fato inédito'


Da CNN
01 de agosto de 2020 às 14:04 | Atualizado 01 de agosto de 2020 às 14:39

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o laboratório britânico AstraZeneca assinaram na sexta-feira (31) um acordo para a transferência de tecnologia e produção de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. Presidente da instituição, Nísia Trindade afirmou que a vacina segue para a fase final de testes após apresentar excelentes resultados nas etapas anteriores. O medicamento é desenvolvido pela empresa do Reino Unido em conjunto com a Universidade de Oxford.

"Vai ser muito importante garantir esse acesso à nossa população de uma vacina que já foi considerada pela Organização Mundial de Saúde como a de estágio mais avançado no mundo", disse Nísia em entrevista à CNN neste sábado (1º).

A presidente da instituição explicou que a transferência de tecnologia para Bio-Manguinhos, laboratório da Fiocruz, garantirá a produção total da imunização no país. "Além de dar acesso à população nesse momento tão crítico, nós estaremos garantindo a autonomia do nosso país frente à vacina, não estaremos dependentes de exportação. Isso é um fato inédito", informou Nísia.

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O Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 522 milhões na estrutura de Bio-Manguinhos. "Bio-Manguinhos está fazendo poucas adaptações para concluir a primeira fase, que é a produção dessas 100 milhões de doses [da vacina]. O acordo como um todo está na ordem de R$ 1,9 bilhão", disse a presidente da Fiocruz. 

Nísia disse que é esperado que a produção da vacina em território nacional se inicie no final de 2020. "Durante os meses de dezembro e janeiro receberemos insumos farmacêuticos ativos da AstraZeneca e estaremos finalizando este processo de formulação, produção e envase já na Fiocruz. A partir de julho de 2021, nós temos com muita clareza essa incorporação da tecnologia e esse marco para que possamos produzir a vacina em todo o seu proceso."

(Edição: Luiz Raatz)