Diretor da Anvisa diz que mais vacinas diferentes podem ser testadas no Brasil


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
12 de agosto de 2020 às 21:06

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, afirmou à CNN nesta quarta-feira (13) que o Brasil pode ser palco para mais testes de vacinas para além das três já em análise e da vacina anunciada pelo governo da Rússia.

"Temos alguns outros contratos não formalizados ainda, que nos levam a crer que esse número tenderá a subir, inclusive além dessa própria vacina russa", disse Barra, em entrevista aos âncoras Monalisa Perrone, Caio Junqueira e Kenzô Machida.

As três vacinas já em testes no país são as do laboratório AstraZeneca/Universidade de Oxford, a da farmacêutica chinesa Sinovac e a do binômio empresarial Pfizer-Wyatt. A de Oxford tem contrato com o governo federal, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a chinesa é testada em parceria com o governo de São Paulo, através do Instituto Butantan.

A vacina Sputnik V, anunciada pelo presidente russo Vladimir Putin, ainda não foi protocolada para testes no Brasil, segundo o diretor da Anvisa. "Até o momento atual, a agência não recebeu o pedido de estudo clínico e não recebeu dossiês ou documentos referentes à vacina russa", diz.

Barra Torres afirmou esperar que esse processo seja realizado "nas próximas horas" e que até o momento a agência não possui informações sobre os resultados das primeiras fases do processo. Ele também defendeu uma "postura de tranquilidade" e a aplicação dos mesmos critérios colocados às outras postulantes.

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Diferentemente das vacinas em testes no Brasil, a Sputnik V foi oficializada pela Rússia antes da fase 3, quando é submetida a estudos clínicos em larga escala. "O ato de fazer um registro é um ato administrativo, o que não quer dizer que os estudos clínicos não seriam realizados", explica o diretor da agência.

Antonio Barra Torres reconheceu a possibilidade de o registro antecipado da vacina ser um movimento também político do governo da Rússia. "Não há dúvida que uma notícia como essa atinja algum propósito, que talvez até já tenha sido atingido, que é atrair atenção da comunidade científica internacional e de todo o noticiário internacional, que está focado no tema da pandemia", argumenta.

No Brasil, a vacina russa foi razão para um memorando de entendimento, assinado pelo país com o governo do estado do Paraná. A imunização pode demorar até 30 dias para começar a ser testada em solo brasileiro, segundo o coordenador de relações internacionais do governo, Luís Paulo Mascarenhas, estimou à CNN.