É importante Brasil participar de acordos internacionais, diz integrante da OMS

Cristiana Toscano, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), falou à CNN sobre estudos em andamento relacionados às vacinas contra Covid-19

Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
19 de agosto de 2020 às 14:42

Na largada para conseguir a vacina contra a Covid-19, o mundo tenta restabelecer suas rotinas e encontrar soluções para combater a pandemia. Em entrevista à CNN, a médica Cristiana Toscano, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e integrante do Grupo de Trabalho de Vacinas para COVID-19 da OMS, comenta sobre a volta às aulas, as vacinas em teste no Brasil e a importância dos países se unirem para garantir acesso equitativo aos países mais pobres do mundo que não tem condições nem de comprar e nem de produzir uma vacina.

Nesta terça-feira, durante a coletiva, a líder técnica da OMS, Maria Van Kerkhove, comentou durante a coletiva que o vírus circula ainda na comunidade, inclusive nas escolas.

De acordo com a médica Cristiana, a volta às aulas é algo delicado e depende muito da região: “A volta às aulas é uma situação muito delicada que tem que ser discutida considerando os cenários epidemiológicos locais. Necessariamente, precisa haver uma diminuição do número de casos para que isso seja pensado e seja possível. É algo que tem que ser pensado com bastante cautela e analisado com especialistas de cada localidade”

Questionada sobre qual das vacinas é a mais promissora, a Toscano comenta que ainda não é o momento de apontar qual das vacinas em teste pode ser a solução contra o novo coronavírus: “Na verdade, falar agora de uma vacina mais promissora é impossível neste momento. Falamos por enquanto de um conjunto de vacinas, de um portfólio, que utiliza tecnologias de produção diferentes e tem resultados preliminares positivos no sentido de produzir anticorpos. Porém, são os estudos da fase 3 que de fato vão demonstrar se esses anticorpos produzidos, conforme demonstrado na fase 1 e 2, se traduzem em proteção e prevenção contra a doença. Então, podemos dizer apenas no sentido cronológico qual está mais avançada, mas dizer qual delas é a melhor candidata, neste momento é impossível."

A OMS também se posicionou nesta terça-feira pedindo para que os países evitem o “nacionalismo” das vacinas anti-Covid. Toscano reafirma que o Brasil está bem posicionado quando o assunto é teste de vacinas, e ressalta que é de suma importância a participação do país na iniciativa internacional chamada Covax.

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Cristiana Toscano, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e integrante do Grupo de Trabalho de Vacinas para Covid-19 da OMS
Foto: Reprodução/CNN

"O fato de ter equipe de pesquisadores e instituições estabelecidas tanto na produção de vacinas, quanto para realização de estudos clínicos, é algo bastante promissor. E o fato de estar tendo uma transmissão do vírus no Brasil de maneira importante é um dos atrativos para se realizar os estudos da fase 3 aqui. Esses fatores facilitam uma série de acordos bilaterais, que já estão sendo estabelecidos, como a Oxford com a Fiocruz e a Bio-Manguinhos, a Sinovac com o Instituto Butantan, entre outras parcerias. Porém, é importante ressaltar que o Brasil participe de acordos multilaterais, como é o caso da Covax, iniciativa internacional que visa garantir um acesso equitativo para os países mais pobres do mundo que não tem condições nem de comprar e nem de produzir uma potencial vacina contra a Covid-19 quando for aprovada.

Toscano também comentou sobre as últimas informações que a OMS tem sobre a vacina da Rússia e ressaltou que ela como qualquer outra vacina deverá passar pelas normas internacionais. “A vacina russa completou, de acordo com o monitoramento que fazemos com base na documentação internacional, ela completou o estudo de fase 1. Ela foi testada no número reduzido de 38 participantes e ainda precisa realizar os estudos na fase 2 e 3 para que de fato sua eficácia seja avaliada. Então, o fato de ela ter sido registrada na Rússia, não indica que ela é segura e que pode ser utilizada. De acordo com os preceitos internacionais, inclusive do Brasil, Reino Unido, União Europeia e EUA, as agências reguladoras exigem que uma vacina seja avaliada em fase 3 antes de seu registro e será isso que deverá ser realizado com a vacina russa.”