Correspondente Médico: Como o cérebro reage em situações de emergência?

Neurocirurgião Fernando Gomes explica situações que podem afetar as pessoas, como o terremoto na Bahia

Da CNN
31 de agosto de 2020 às 11:29

Ao menos 80 municípios da região do Recôncavo baiano (BA) e do sul da Bahia informaram, no domingo (30), terem sentido tremores sísmicos pela manhã. Os relatos foram reportados na página do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores informaram que o motivo do tremor está sob análise.

De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tremor foi classificado com a magnitude 4.2 na escala Richter. Já o Sistema Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou 4.6 pontos na escala.

Pesquisadores do Centro da USP informaram que a região do Recôncavo baiano tem histórico significativo de sismicidade, e que 9 tremores foram registrados entre 2018 e 2019. 

Na edição desta segunda-feira (31) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou como o cérebro humano reage diante de situações de emergência, como a que ocorreu na Bahia após o fenômeno inesperado.

"A nossa vivência é de algum controle em relação ao contato que temos com o solo e os ambientes que estamos. Se você começa a receber informações vibracionais de uma forma diferente, você percebe que algo não está normal. Nestes casos, o nosso sistema de alerta fica totalmente ativo e com isso aumentamos a nossa percepção de outras informações", iniciou ele. 

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Correspondente Médico: Como o cérebro reage diante de uma situação de emergência?
Foto: Reprodução/CNN

Junto com este cenário, o indivíduo também começa a enfrentar um quadro de estresse. De acordo com o neurocirurgião, a pressão é necessária para que o ser humano ative o instinto de sobrevivência. "Imagine em uma situação como esta, que você normalmente tem o controle total do ambiente, e perde o controle repentinamente. Automaticamente, nos sentimos desafiados", explica.

Em situações de estresse o corpo reage imediatamente. Ao mesmo tempo, o indivíduo que passa por situações promovidas por estes fenômenos pode sofrer de um quadro pós-traumático.

"Se existe uma relação muito importante e sustentada e vem todo este pânico [promovido pelo terremoto], a pessoa pode desenvolver sim, um quadro de estresse pós-traumático", disse.

"Esse trauma pode ficar gravado e você pode ter sintomas e sinais de flashbacks, por exemplo, revivendo aquele momento específico. Além disso, sintomas físicos também podem ser percebidos como dor de barriga, alteração do sono e dores pelo corpo. Para estas situações, o recomendado é buscar ajuda médica e psicológica para acompanhamento do caso", finalizou.

(Edição: André Rigue)