Por que diabetes aumenta riscos em caso de Covid-19? Endocrinologista explica

À CNN, a endocrinologista Claudia Cozer Kalil explicou porque essa condição é considerada um agravante para casos de Covid-19

Da CNN
14 de setembro de 2020 às 15:51

Depois de cerca de duas semanas de internação, o cantor Parrerito, do Trio Parada Dura, morreu, aos 67 anos, vítima de Covid-19. Ele tinha diabetes, que é um dos fatores de risco para o novo coronavírus.

À CNN, a endocrinologista Claudia Cozer Kalil explica porque essa condição é considerada um agravante para casos de Covid-19. 

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A endocrinologista Claudia Cozer Kalil fala à CNN sobre os riscos de complicações por Covid-19 em pacientes com diabetes
Foto: CNN (14.set.2020)

"O diabetes é uma doença na qual a glicose fica elevada no sangue e não dentro da célula. Esse sangue fica mais viscoso e com uma densidade maior, o que dificulta muito a movimentação das células de defesa, que precisam chegar até o vírus ou bactéria para eliminá-la", esclareceu.

"Então aumenta a mortalidade justamente por diminuir a resposta imunológica e inflamatória", acrescentou.

Outro ponto é o próprio tratamento utilizado em casos de pacientes com Covid-19 que precisam de internação. "No paciente com Covid-19, um dos remédios para o tratamento são os corticoides, que piora ainda mais [o estado de] uma pessoa com pré ou diabetes propriamente", diz a médica. 

"Isso porque ele aumenta os níveis glicêmicos no sangue. Então, se um paciente é diabético e já não era muito bem controlado, ao usar corticoides no tratamento de Covid-19, isso pode se agravar e o sistema imunológico fica mais fraco", detalhou ela.

No caso de pacientes com diabetes tipo 2, há um agravante. "Oitenta por cento dos pacientes são obesos, que é outro fator risco para a Covid-19. O tipo 2, que é geralmente o diabetes do adulto, tem outros fatores de risco associados", completou.

Segundo a endocrinologista, o uso dos corticoides no tratamento contra a Covid-19 ainda pode "precipitar um diabetes que estava meio que incubado". 

A médica destaa que o diabetes pode ser uma doença silenciosa e, por isso, é importante estar com os exames médicos em dia, além de manter uma rotina de exercícios.

"Apesar de toda a restrição e o isolamento da pandemia, não podemos restringir nem isolar os cuidados com a saúde", defendeu.

"Uma glicemia em jejum de 8 a 12 horas já é o suficiente nessa fase inicial", indicou.

Obesidade

De acordo com o levantamento, o ganho médio de peso foi de 2,8 kg, mas as pessoas engordaram entre 1,1 kg e 12 kg
Foto: Reprodução/I yunmai/ Unsplash

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) de Bauru, no interior de São Paulo, concluiu que pessoas obesas ou com sobrepeso estão mais propensas a desenvolver a forma grave da doença, quando contaminadas pela Covid-19.

À CNN, a coordenadora do estudo, Sílvia Sales-Peres, professora da USP-Bauru, destaca que a pesquisa comprova algo que já era citado por especialistas em relação aos efeitos da obesidade em quadros clínicos da doença. 

"Essas pessoas [obesas] já vão apresentar alguns graus de inflamação crônica, além de ter redução na produção de citocinas antinflamatórias e aumento nas citocinas pró-inflamatórias", descreveu a professora.

Esse quadro pode fazer com que as doenças pulmonares sejam agravadas. "Também apresentam algumas células prejudicadas, justamente as responsáveis pelos anticorpos", acrescentou.

"São vários fatores que podem concorrer ao mesmo tempo para favorecer, inclusive, o agravamento da Covid-19. No caso desses indivíduos, o vírus pode ficar armazenado nessa rede do tecido adiposo, fazendo com que tenha um tempo maior de progressão", completa a pesquisadora.

(Edição: Sinara Peixoto)