Prorrogação de decisão sobre consórcio de vacinas é 'positivo', avalia médica

Para Cristiana Toscano, governo demonstra interesse em resolver questões legais em impasse

Da CNN
18 de setembro de 2020 às 15:03

Pela terceira vez o Brasil pediu mais tempo para avaliar se entrará ou não do Covax, o consórcio criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir o acesso a vacinas contra a Covid-19 seguras e eficientes. Segundo fontes do governo ouvidas pela CNN, a ideia é prorrogar por mais 30 dias o prazo de decisão.

À CNN, Cristiana Toscano, médica e integrante do Grupo de Trabalho de Vacinas para Covid-19 da OMS, avaliou os impactos no Brasil caso o país decida não participar do consórcio de vacinas. De acordo com ela, esta é uma oportunidade que vai além do protagonismo internacional e mostra empenho, parte do governo, em ter acesso às doses.

"O Covax é um consórcio que, através de um recurso de diversos países, ele garante o investimento em um portfólio de vacinas. Então, não estamos falando de uma vacina. Estamos falando de nove e eventualmente pode ser até mais.", iniciou.

"Este investimento é feito tanto para o desenvolvimento e também para a distribuição dessas doses, além do acesso delas para o mundo inteiro. Participar deste consórcio é importante porque aumenta a capacidade e a possibilidade de acesso, diminuindo riscos. Além disso, temos as gerações destas vacinas, o Brasil teria acesso a isso também", disse.

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Cristiana Toscano, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e integrante do Grupo de Trabalho de Vacinas para Covid-19 da OMS
Foto: Reprodução/CNN

 

A principal dificuldade enfrentada pelo governo é que, para participar, o Brasil terá que fazer um aporte no valor de R$ 5 bilhões, e a legislação brasileira não permite que o governo aplique dinheiro em um produto que ainda não existe.

"O montante está diretamente ligado ao tamanho da população (...) No final de julho houve a primeira manifestação de interesse por parte dos países, tivemos 150 países demonstrando interesse na época, inclusive. O prazo para definição contratual seria até hoje. Essa solicitação de prorrogação, eu acredito que  seja no sentido de definir questões legais e detalhes contratuais ligados ao pagamento e outros pontos. Acredito que isso é um sinal positivo de que, de fato, o governo está empenhado e interessado, como já mencionou anteriormente".

(Edição: Leonardo Lellis)