Correspondente Médico: Qual a importância dos transportes alternativos?

Dia Mundial Sem Carro estimula novas formas de locomoção

Da CNN
22 de setembro de 2020 às 10:15

Idealizado em 1997, na França, o Dia Mundial Sem Carro é uma data importante para reflexão sobre o uso excessivo do automóvel. A data propõe a oportunidade de avaliar, pelo menos por um dia, novas formas de locomoção pela cidade, seja pelo transporte público ou por meio de bicicletas, por exemplo.

Na edição desta terça-feira (22) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes abordou a importância da mudança de comportamento e como o cérebro reage diante de novas oportunidades. O médico também avaliou o impacto da pandemia de Covid-19 na locomoção das pessoas pelas cidades. 

"A gente sabe que a facilidade da tecnologia, faz com que tenhamos velocidade. Mas junto com isso, nós temos efeitos colaterais como o sedentarismo, promovido pela utilização dos veículos como uma forma de facilidade. Quando ouvimos uma proposta como esta, um convite para mudar a nossa forma de se locomover e de se interagir com a própria cidade, ficamos muito felizes", iniciou.

Na avaliação do médico, mesmo sendo uma ótima oportunidade, a mudança de um hábito requer esforço e dedicação. "Existe uma dificuldade para mudar estas questões. Temos a chamada zona de conforto e todo mundo fala sobre isso e muitas vezes não entendem do que realmente se trata. Quando simplificamos o trabalho do cérebro, entramos em um processo o qual gastamos menos energia mental e física", disse.

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Correspondente Médico: Qual a importância dos transportes alternativos?
Foto: Reprodução/CNN

E acrescentou: "Quando colocamos um elemento novo para mudar o nosso comportamento, ativamos o ciclo da mudança de hábito em nosso cérebro, que está relacionado com os gânglios da base, tálamo e cerebelo. Por isso é tão difícil mudar isto, devido ao conforto que já estabelecemos no cérebro".

Além da necessidade de conscientização, o neurocirurgião alerta para uma certa 'confusão' gerada por algumas pessoas que utilizam os veículos. 

"Existe uma confusão entre o 'status' da pessoa e o fato de possuir ou não um automóvel, julgando ele por marca e potência, sendo que nós temos leis de trânsito que restringem a nossa velocidade, por exemplo. Mas, mesmo assim, algumas pessoas desejam ter carros potentes para ir não sei aonde porque não tem lugar para ir e colocar toda a velocidade desejada", criticou. 

Na capital paulista, por exemplo, depois das flexibilizações do isolamento social o trânsito voltou a crescer, mas a demanda por transporte público segue abaixo dos patamares pré-pandemia de Covid-19. 

"Quando imaginamos na forma de transmissão do vírus acontece e com todos os cuidados que são passados para todos nós, andar no seu automóvel acaba sendo mais seguro, do que andar no transporte público. Então fica aqui um questionamento e a questão do bom senso sobre o melhor comportamento a ser adotado, lembrando da necessidade de seguir todos os protocolos", finaliza.

(Edição: André Rigue)