Calor e pandemia elevam riscos para cardiopatas; saiba os cuidados

Por conta do risco de queda na pressão devido ao calor, o especialista recomenda que pacientes cardiopatas busquem orientação sobre mudar dosagem da medicação

Da CNN
30 de setembro de 2020 às 16:44

 

Cidades de todo o país seguem registrando as temperaturas mais elevadas do ano neste início da primavera.

A capital de São Paulo, por exemplo, bateu recorde de calor para 2020 nesta quarta-feira (30), com temperatura máxima de 37,1ºC, de acordo como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O índice está 12,7ºC acima da média de setembro.

E não para por aí. A capital paulista pode ter máxima de 38ºC nesta quinta-feira (1), o que seria a maior temperatura desde 1943, quando começaram as medições oficiais do INMET. O atual recorde histórico de calor na cidade é de 37,8ºC, em 17 de outubro de 2014.

Segundo o Climatempo uma intensa onda de calor, com temperaturas entre 37°C e 43°C, também vai alcançar os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás. Rondônia, Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, além do Distrito Federal.

Apesar de o céu limpo possibilitar uma gama maior de atividades físicas, as altas temperaturas podem representar riscos à saúde.

O cardiologista Iran Gonçalves Júnior, intensivista do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, explica que o calor e a Covid-19 elevam os riscos para cardiopatas.

"As pessoas com problemas cardíacos não pegam Covid-19 mais fácil, mas evoluem pior quando pegam o novo coronavírus", ressalta.

"E a chegada do calor traz outros desafios para pessoas cardiopatas, que geralmente tomam muitos remédios que abaixam a pressão arterial", acrescentou.

Por causa do risco de queda na pressão devido às altas temperaturas, o especialista recomenda que pacientes cardiopatas busquem orientação sobre mudar a dosagem da medicação durante o período mais quente. 

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Foto: Reprodução/Pixabay

Em relação ao novo coronavírus, o cardiologista esclarece que o principal motivo de internação é descompensação cardíaca. "O famoso coração fraco", definiu. 

"Seja por infarto, hipertensão não tratada ao longo dos anos, esse paciente chega ao hospital achando que está só com uma insuficiência cardíaca e uma falta de ar, mas, quando vai ver, é efeito da Covid-19", lembra. 

De acordo com o especialista, o novo coronavírus "pode afetar diretamente o músculo cardíaco". "Ele infecta diretamente e causa uma miocardite, que é uma inflamação do coração, além de desencadear problemas trombóticos", acrescenta. "Quando a Covid-19 pega o coração é complicado".

De olho na prevenção das doenças cardíacas, o médico indica que as "pessoas devem saber os seus números".

"Qual a sua pressão arterial? Quanto de glicemia tem no sangue? Qual o seu colesterol e o triglicérides?", aponta ele, que recomenda que se mantenha esses exames em dia, além da prática de atividades físicas. 

(Edição: Sinara Peixoto)