Estudo indica que vacina tríplice viral pode reduzir sintomas da Covid-19

Segundo pesquisador, o estudo se compara à chamada fase 3 das vacinas

Da CNN, em São Paulo
30 de setembro de 2020 às 15:30

A primeira fase de uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola, provocaria uma redução dos sinais da Covid-19. Ao todo, 400 profissionais da saúde participaram do estudo.

Edison Fedrizzi, coordenador da pesquisa e professor da instituição, explicou à CNN como a imunização já existente atua contra o novo coronavírus.

“Nosso grupo de trabalho avaliou a possibilidade de utilizarmos alguma vacina que pudesse proteger [contra a Covid-19], pelo menos por algum tempo, até que tivéssemos uma vacina específica. Dentre essas, o que observamos é que existem algumas que são as chamadas de ‘microorganismos atenuados’, entre elas a tríplice, além da BCG e a vacina oral da polio [poliomielite], que estimulariam nosso sistema de defesa, bloqueando outras infecções”, explica.

Fedrizzi cita a comprovação de outros estudos para infecções respiratórias e do trato gastrointestinal em crianças e adultos.

De acordo com o especialista, nesses primeiros meses do estudo, que teve início no final de julho, observou-se que 83% dos voluntários assintomáticos infectados, e que já haviam recebido a vacina tríplice viral, permaneceram assintomáticos. Por outro lado, no grupo placebo, esse percentual caiu para 50%.

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Edison Fedrizzi, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Foto: CNN (30.set.2020)

Diante disso, afirma Fedrizzi, o primeiro resultado que colabora com as hipóteses dos pesquisadores é de que a imunização poderia, sim, diminuir a gravidade da Covid-19.

Agora, de acordo com o professor, o próximo passo será avaliar se há a possibilidade de prevenir o novo coronavírus com a tríplice viral.

“Para isso, precisamos ter mais casos positivos no nosso estudo e comparar com o grupo que recebeu a tríplice viral e o placebo”, disse.

Segundo ele, o estudo se compara à chamada fase 3 das vacinas – que detecta problemas que não foram observados em outros estudos menores, justamente para proteger os usuários finais. “Ou seja, estamos avaliando uma vacina do ponto de vista de eficácia na prevenção ou redução da doença”.

(Edição: Sinara Peixoto)